{"id":2593,"date":"2024-06-12T20:35:17","date_gmt":"2024-06-12T18:35:17","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/?post_type=panel&#038;p=2593"},"modified":"2024-06-19T20:44:32","modified_gmt":"2024-06-19T18:44:32","slug":"o-ambientalismo-literario-do-pobre-por-uma-ecocritica-das-literaturas-africanas","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/o-ambientalismo-literario-do-pobre-por-uma-ecocritica-das-literaturas-africanas\/","title":{"rendered":"4. O &#8220;ambientalismo liter\u00e1rio do pobre&#8221;. Por uma ecocr\u00edtica das literaturas africanas\u2028"},"content":{"rendered":"<p>A emerg\u00eancia de categorias que, de um modo geral, pretendem observar o impacto (geol\u00f3gico) do humano em suas diversas subjetividades e atrav\u00e9s de perspectivas cr\u00edticas distintas \u2013 antropoceno, capitaloceno plantationceno ou chthuluceno (Moore, 2016; Haraway 2015), entre outras \u2013 configura o ambiente e o ambientalismo como um tema e um problema central no campo dos estudos liter\u00e1rios, oferecendo a possibilidade de (re)definir as literaturas africanas \u2013 suas est\u00e9ticas, formas e g\u00eaneros, bem como seus paradigmas cr\u00edticos e conceituais \u2013 a partir de uma perspectiva ecocr\u00edtica. (Falconi, 2023) Neste sentido, os estudos liter\u00e1rios, e especialmente os estudos de literaturas africanas, podem desempenhar um papel central na (re)defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 habitualmente definido como ambientalismo (Nixon, 2011) e, sobretudo, no vem sendo definido como &#8220;o ambientalismo do pobre&#8221; (Martinez-Alier, 2003; Guha, 2000; Nixon; 2011). A partir destas premissas e operacionalizando o conceito de &#8220;ambientalismo liter\u00e1rio&#8221; surge a possibilidade de mapear os discursos e as pr\u00e1ticas \u2013 politicas e est\u00e9ticas \u2013 que se situam no continente africano e especialmente no campo das literaturas africanas e portanto tamb\u00e9m dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa onde as abordagens ecocr\u00edticas e ambientalistas se apresentam como cartografias ainda por desenhar.<\/p>\n<p>O ambientalismo e a ecocr\u00edtica se destacam entre os mais atuais desdobramentos nos estudos liter\u00e1rios contempor\u00e2neos, sobretudo no campo da literatura comparada, dos estudos p\u00f3s-coloniais e do debate sobre literatura-mundial. Trata-se, no entanto, de perspectivas cr\u00edticas e anal\u00edticas ainda pouco desenvolvidas no campo de estudos de literaturas africanas, especialmente no que tange \u00e0s literaturas dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa (Falconi, 2023). O ambientalismo, a ser entendido como a rela\u00e7\u00e3o entre natureza, cultura e sociedade e que, em tese, pauta a forma\u00e7\u00e3o do romance africano moderno e contempor\u00e2neo, \u00e9 raramente (re)conhecido como um tema \u2013 um conte\u00fado ou uma est\u00e9tica \u2013 matricial no campo dos estudos de literaturas africanas, reproduzindo a l\u00f3gica de desigualdade que, de acordo com Ramachandra Guha (2000), pauta os discursos sobre ecologia e ambientalismo no campo das ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas, onde a hegemonia de perspectivas ocidentais e, especialmente, norte-americanas, silenciam e apagam o que \u00e9 definido como &#8220;o ambientalismo do pobre&#8221; (Martinez-Alier, 2003). A partir destas premissas, o painel &#8220;O ambientalismo liter\u00e1rio do pobre. Por uma ecocr\u00edtica das literaturas africanas&#8221; visa reunir trabalhos que se situam no vasto \u00e2mbito do que vem sendo definido como humanidades ambientais \u2013 environmental humanities \u2013, privilegiando, por um lado, reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre o ambientalismo na \u00e1rea dos estudos africanos e, por outro lado, an\u00e1lises e (re)leituras de obras de literaturas africanas que problematizam o ambientalismo, em diversos contextos geogr\u00e1ficos e lingu\u00edsticos do continente africano. Portanto, o principal objetivo do painel \u00e9 o de mapear, em sentido explorat\u00f3rio e cartogr\u00e1fico, os debates ambientais em \u00c1frica e os &#8220;ambientalismo liter\u00e1rios\u201d que pautam as literaturas africanas e, especialmente, as literaturas dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa, estimulando e fortalecendo abordagens inter e transdisciplinares no \u00e2mbito da ecocritica e das humanidades ambientais.<\/p>\n<p>Falconi, Jessica &#8220;Ecocritica&#8221; in Fernanda Gallo (org.) Breve Dicion\u00e1rio das Literaturas Africanas (Campinas, Editora Unicamp, 2023), pp. 57-66<br \/>\nGuha, Ramachandra. Environmentalism: A Global History (New York: Longman, 2000)\u2028.<br \/>\nHaraway, Donna. &#8220;Anthropocene, Capitalocene, Plantationocene, Chthulucene: Making Kin\u201d. In Environmental Humanities (2015) 6 (1): 159\u2013165. https:\/\/doi.org\/10.1215\/22011919-3615934<br \/>\nMartinez-Alier, Joan. The Environmentalism of the Poor: A Study of the Ecological Conflicts and Valuation (Cheltenham, UK: Edward Elgar Publishing, 2003).<br \/>\nMoore, Jason W. Anthropocene or Capitalocene?: Nature, History, and the Crisis of Capitalism. (Oakland: PM Press, 2016).<br \/>\nNixon, Rob. Slow Violence and the Environmentalism of the Poor. (Cambridge, Massachusetts, and London, England: Harvard University Press, 2011).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ambientalismo e a ecocr\u00edtica se destacam entre os mais atuais desdobramentos nos estudos liter\u00e1rios contempor\u00e2neos, sobretudo no campo da literatura comparada, dos estudos p\u00f3s-coloniais e do debate sobre literatura-mundial. Trata-se, no entanto, de perspectivas cr\u00edticas e anal\u00edticas ainda pouco desenvolvidas no campo de estudos de literaturas africanas, especialmente no que tange \u00e0s literaturas dos pa\u00edses africanos de l\u00edngua oficial portuguesa. O ambientalismo, a ser entendido como a rela\u00e7\u00e3o entre natureza, cultura e sociedade e que, em tese, pauta a forma\u00e7\u00e3o do romance africano moderno e contempor\u00e2neo, \u00e9 raramente (re)conhecido como um tema \u2013 um conte\u00fado ou uma est\u00e9tica \u2013 matricial no campo dos estudos de literaturas africanas, reproduzindo a l\u00f3gica de desigualdade que, de acordo com R.Guha, entre outros, pauta os discursos sobre ecologia e ambientalismo no campo das ci\u00eancias sociais e pol\u00edticas, onde a hegemonia de perspectivas ocidentais e, especialmente, norte-americanas, silencia o que \u00e9 definido como &#8220;o ambientalismo do pobre&#8221; (Martinez-Alier, 2003). A partir destas premissas, o painel visa reunir trabalhos que se situam no \u00e2mbito das humanidades ambientais (environmental humanities), privilegiando, por um lado, reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre o ambientalismo na \u00e1rea dos estudos africanos e, por outro lado, an\u00e1lises e (re)leituras de obras liter\u00e1rias que problematizam temas ambientalistas, em diversos contextos geogr\u00e1ficos e lingu\u00edsticos do continente africano. 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