{"id":2718,"date":"2024-06-12T20:00:29","date_gmt":"2024-06-12T18:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/?post_type=panel&#038;p=2718"},"modified":"2024-08-09T19:15:36","modified_gmt":"2024-08-09T17:15:36","slug":"africa-e-diaspora-no-atlantico-sul-escravidao-emancipacao-e-pos-abolicao-seculos-xviii-xx","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/africa-e-diaspora-no-atlantico-sul-escravidao-emancipacao-e-pos-abolicao-seculos-xviii-xx\/","title":{"rendered":"44. \u00c1FRICA E DI\u00c1SPORA NO ATL\u00c2NTICO SUL: ESCRAVID\u00c3O, EMANCIPA\u00c7\u00c3O E P\u00d3S-ABOLI\u00c7\u00c3O (S\u00c9CULOS XVIII-XX)"},"content":{"rendered":"<p>A partir da d\u00e9cada de 1990, a Nova Historiografia da escravid\u00e3o no Brasil, impulsionou os estudos sobre a \u00c1frica. O Atl\u00e2ntico negro, termo cunhado por Paul Gilroy foi tomado pelos intelectuais brasileiros(as) e de algures como uma categoria conceitual para pensar nos tr\u00e2nsitos, conex\u00f5es e trocas entre o continente africano, as Am\u00e9ricas e a Europa nos s\u00e9culos de forma\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio entre europeus e povos africanos, do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico e da escraviza\u00e7\u00e3o na di\u00e1spora. Embora as pesquisas estejam mais voltadas \u00e0s miragens do tr\u00e1fico e da escravid\u00e3o, nos \u00faltimos anos vem crescendo significativamente os trabalhos que reduziram a escala de observa\u00e7\u00e3o na \u00c1frica, propriamente dita, sobremaneira, no que tange as quest\u00f5es mais contempor\u00e2nea do p\u00f3s-colonialismo e da decolonialidade. Por outro lado, os estudos da \u00c1frica que dialogam tamb\u00e9m com a di\u00e1spora, tem privilegiado o deslocamento do eixo da an\u00e1lise das constru\u00e7\u00f5es europeias no per\u00edodo da modernidade, para focalizar as experi\u00eancias das pessoas que cruzaram o Atl\u00e2ntico, viveram em suas margens litor\u00e2neas, formando e participando de comunidades, do com\u00e9rcio, da circula\u00e7\u00e3o de ideias, e experimentaram a escravid\u00e3o, sejam como cativas, sejam libertas, sejam livres, sejam europeias, sejam americanas, sejam africanas, no per\u00edodo oitocentista. N\u00e3o obstante, ousamos o alargamento do conceito de mundo atl\u00e2ntico para abarcar o p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o em perspectiva cronol\u00f3gica mais ampla, no intuito de dialogar com estudos que refletem sobre o Atl\u00e2ntico negro em temporalidades mais contempor\u00e2neas. Desta feita, o presente painel tem a pretens\u00e3o de reunir estudos em per\u00edodo de longa dura\u00e7\u00e3o, do s\u00e9culo XVIII ao XX, pois almeja congregar pesquisadores(as) que v\u00eam debru\u00e7ando-se nos estudos sobre a \u00c1frica e a Di\u00e1spora, contemplando os fluxos e refluxos entre pessoas, ideias, culturas, religiosidades, com\u00e9rcios gestados tanto no per\u00edodo do tr\u00e1fico atl\u00e2ntico, das escravid\u00f5es africanas nas duas margens continentais (\u00c1frica-Am\u00e9ricas), nas lutas pela liberdade, como nos tempos coloniais e p\u00f3s-coloniais. Ademais, temos o intuito tamb\u00e9m de dialogar com inflex\u00f5es metodol\u00f3gicas que privilegiam os campos da biografia e trajet\u00f3ria de vida, bem como as interfaces entre a hist\u00f3ria, a literatura, a cultura visual e os pressupostos culturais da decolonialidade. Nesse sentido, quais seriam as contribui\u00e7\u00f5es que as pr\u00e1ticas religiosas, formata\u00e7\u00f5es culturais, transgress\u00f5es, ressignifica\u00e7\u00f5es, projetos de liberdade, negocia\u00e7\u00f5es entre africanos, crioulos, livres de cor e n\u00e3o negros, podem trazer para ampliarmos as lentes sobre a estrutura das sociedades escravistas do Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, em particular no Brasil e nos pa\u00edses africanos que foram colonizados pelos lusitanos? Quais os campos de tens\u00f5es, negocia\u00e7\u00f5es e conflitos envolviam escravizados e senhores, africanos, crioulos e os indiv\u00edduos n\u00e3o negros? Que formas de organiza\u00e7\u00f5es nos mundos do trabalho no p\u00f3s Emancipa\u00e7\u00e3o constru\u00edram-se como meio de sobreviv\u00eancia n\u00e3o apenas econ\u00f4mica? Estas s\u00e3o algumas das inquietudes que fazem parte das preocupa\u00e7\u00f5es a serem discutidas neste painel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O presente painel convida pesquisadores(as) com interesse no debate sobre os recentes estudos acerca da escraviza\u00e7\u00e3o africana no Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, em particular na \u00c1frica e no Atl\u00e2ntico Sul. Ser\u00e3o bem-vindos trabalhos cujos cernes sejam as experi\u00eancias, perspectivas, projetos e expectativas de mulheres e homens africanos e de seus descendentes, e das diferentes redes sociais constru\u00eddas entre estes e seus senhores, ex-senhores, escravizados, libertos, livres, negros, mesti\u00e7os e brancos em suas diversas estrat\u00e9gias de reorganiza\u00e7\u00e3o nas sociedades escravistas e do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o no Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, entre os s\u00e9culos XVIII e XX. Nesse sentido, s\u00e3o de estimada valia tem\u00e1ticas em torno de: identidades etnicidades e trans\u00e9tnicas, trabalhos livre e compuls\u00f3rio, resist\u00eancia escrava, alforria, fam\u00edlia negra, rela\u00e7\u00f5es de compadrio, pr\u00e1ticas religiosas, sistematiza\u00e7\u00f5es culturais em perspectivas coloniais e p\u00f3s-coloniais. As novas concep\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas, sobretudo, aquelas orientadas pelas ferramentas da microan\u00e1lise, que privilegiam os arranjos cotidianos dos \u201can\u00f4nimos\u201d, contribu\u00edram de maneira significativa com a renova\u00e7\u00e3o dos estudos sobre tr\u00e1fico e escravid\u00e3o africana. Vale ressaltar que, desde as d\u00e9cadas de 1970-80 que os temas vinculados ao cotidiano e as formas de reorganiza\u00e7\u00e3o social de africanos(as) e de seus descendentes, tornaram-se objeto de pesquisas dos historiadores da escravid\u00e3o e da p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o (COOPER, HOLT, SCOTT, 2005). Todavia, ainda \u00e9 parco o conhecimento sobre as experi\u00eancias das pessoas de origem africana e de seus descendentes, no Mundo Atl\u00e2ntico, em particular no Imp\u00e9rio Portugu\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"template":"","congreso":[92],"class_list":["post-2718","panel","type-panel","status-publish","hentry","congreso-ciea12-pt-pt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/2718","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/2718\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5814,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/2718\/revisions\/5814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2718"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=2718"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}