{"id":3213,"date":"2024-06-12T20:30:15","date_gmt":"2024-06-12T18:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/processos-de-digitalizacao-em-africa\/"},"modified":"2024-08-09T11:09:52","modified_gmt":"2024-08-09T09:09:52","slug":"processos-de-digitalizacao-em-africa","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/processos-de-digitalizacao-em-africa\/","title":{"rendered":"9. Processos de digitaliza\u00e7\u00e3o em \u00c1frica"},"content":{"rendered":"\n<p>Desde o final do s\u00e9culo XX e, claramente, at\u00e9 agora no s\u00e9culo XXI, as Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o (TIC) n\u00e3o s\u00f3 se expandiram exponencialmente no mundo, como tamb\u00e9m tiveram um impacto em v\u00e1rias esferas da vida das pessoas. O continente africano est\u00e1 a registar uma acelera\u00e7\u00e3o digital significativa a muitos n\u00edveis, interligando estruturas, processos e intervenientes locais e globais, criando assim m\u00faltiplos desafios e oportunidades para a transforma\u00e7\u00e3o digital e socioecon\u00f3mica de \u00c1frica. Algumas destas oportunidades e desafios estariam ligados ao pr\u00f3prio desenvolvimento e compatibilidade sociocultural para o crescimento socioecon\u00f3mico nesta regi\u00e3o do mundo, uma vez que o acesso das popula\u00e7\u00f5es africanas aos servi\u00e7os digitais (financeiros, comerciais e de marketing, meios de comunica\u00e7\u00e3o e recursos) n\u00e3o as beneficia necessariamente, mesmo que ofere\u00e7am alternativas potencialmente vi\u00e1veis, eficazes e relevantes para o autoemprego, entre outros. As estrat\u00e9gias econ\u00f3micas e de coopera\u00e7\u00e3o dos governos europeu e espanhol (Cimeira UE-Uni\u00e3o Africana 2020, F\u00f3rum Empresarial UE-\u00c1frica 2020, Agenda Espa\u00f1a Digital 2025, Agenda 2030, etc.) est\u00e3o em sintonia com as op\u00e7\u00f5es oferecidas pela digitaliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica em termos de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, contactos, inova\u00e7\u00e3o e oportunidades para gerar maior igualdade e desenvolvimento. Assim, em contextos locais, a utiliza\u00e7\u00e3o da tecnologia m\u00f3vel expandiu-se significativamente, desde o entretenimento ao pagamento de contas e \u00e0 troca de bens. A disponibilidade generalizada de smartphones e o f\u00e1cil acesso a plataformas de redes sociais facilitaram o acesso a uma infinidade de informa\u00e7\u00f5es sobre temas que v\u00e3o desde not\u00edcias e mexericos a moda e quest\u00f5es sociais ou pol\u00edticas, dando aos movimentos sociais, por exemplo, oportunidades de ativismo que anteriormente n\u00e3o estavam dispon\u00edveis (Kibona e Mohamed, 2023). Ao mesmo tempo, o fosso digital entre g\u00e9neros ou a falta de infra-estruturas digitais persiste em muitos pa\u00edses do continente africano. <br>Neste contexto, estamos interessados em conhecer e discutir a forma como as popula\u00e7\u00f5es utilizam as plataformas digitais para construir comunidades, empresas e mobilizar-se para desafiar as injusti\u00e7as, destacar e obter reconhecimento e direitos sobre v\u00e1rias quest\u00f5es de interesse individual e coletivo. Prestar aten\u00e7\u00e3o aos processos pol\u00edticos e hist\u00f3ricos e \u00e0 escala de g\u00e9nero do acesso e utiliza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o digitais convida os investigadores a reconhecerem quest\u00f5es de soberania e poder para al\u00e9m dos discursos optimistas de empoderamento digital de g\u00e9nero e a seguirem os processos complexos, parciais e amb\u00edguos da gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o (Nanna Thorsteinsson Schneidermann, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos tamb\u00e9m abertos aos debates actuais sobre a chamada descoloniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica a partir de epistemologias africanas que criticam as l\u00f3gicas cartesianas de previsibilidade (Divine Fuh, 2023) e outros valores epist\u00e9micos, com a ideia de africanizar o conhecimento para a hist\u00f3ria da tecnologia (Twagira, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, os debates a abordar neste painel centram-se nestas duas quest\u00f5es-chave: <br>i) Quais s\u00e3o os desenvolvimentos recentes dos processos de digitaliza\u00e7\u00e3o africanos no continente? <br>ii) Como \u00e9 que as popula\u00e7\u00f5es africanas moldam \u00e0 sua maneira estes processos globais de digitaliza\u00e7\u00e3o? <br>iii) \u00c9 poss\u00edvel falar de descoloniza\u00e7\u00e3o dos processos digitais e tecnol\u00f3gicos no continente com base em epistemologias e ontologias africanas?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O painel insere-se no contexto da import\u00e2ncia crescente das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o (TIC) no continente africano e da necessidade de as abordar de uma perspetiva social e cultural exclusivamente africana. Neste sentido, a rela\u00e7\u00e3o entre percep\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas, acessibilidade, infra-estruturas, agentes, actores e meios digitais est\u00e3o no centro da discuss\u00e3o deste painel, que pretende promover um espa\u00e7o de di\u00e1logo colaborativo, interdisciplinar e multidimensional, apresentando e debatendo a investiga\u00e7\u00e3o desenvolvida ou em curso sobre os processos de digitaliza\u00e7\u00e3o em \u00c1frica. Convida a uma abordagem, a partir das perspectivas das Ci\u00eancias Sociais e Humanas, das realidades e desafios africanos que esta transi\u00e7\u00e3o imp\u00f5e hoje \u00e0 sociedade digital global, e dos debates actuais sobre se \u00e9 poss\u00edvel e faz sentido falar da chamada descoloniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica a partir de epistemologias africanas.<\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":2608,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3213","panel","type-panel","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3213","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/51"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5323,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3213\/revisions\/5323"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}