{"id":3217,"date":"2024-06-12T20:31:03","date_gmt":"2024-06-12T18:31:03","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/relacoes-intermedias-e-inter-artisticas-nos-cinemas-africanos\/"},"modified":"2024-08-09T11:04:25","modified_gmt":"2024-08-09T09:04:25","slug":"relacoes-intermedias-e-inter-artisticas-nos-cinemas-africanos","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/relacoes-intermedias-e-inter-artisticas-nos-cinemas-africanos\/","title":{"rendered":"8. Rela\u00e7\u00f5es interm\u00e9dias e inter-art\u00edsticas nos cinemas africanos."},"content":{"rendered":"\n<p>O tema do painel pretende ser amplo para pensar as rela\u00e7\u00f5es inter-art\u00edsticas e interm\u00e9dias em que o cinema interv\u00e9m em toda a sua complexidade desde a independ\u00eancia at\u00e9 aos nossos dias. \u00c9 evidente a necessidade de mais trabalhos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o cinema e as literaturas africanas (Tcheuyap, 2004a e 2004b), desde a adapta\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos escritores na constru\u00e7\u00e3o de cinematografias (Gonz\u00e1lez Garc\u00eda, 2023; Santana, 2010). Mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio alargar o problema \u00e0 presen\u00e7a da adapta\u00e7\u00e3o de textos liter\u00e1rios nas pol\u00edticas cinematogr\u00e1ficas nacionais, ou naquelas que envolvem v\u00e1rios pa\u00edses, como as co-produ\u00e7\u00f5es ou os subs\u00eddios de organiza\u00e7\u00f5es transnacionais. Estas \u00faltimas quest\u00f5es come\u00e7aram a ser exploradas &#8211; Tcheuyap (2004b), Overhoff Ferreira (2011) &#8211; mas \u00e9 preciso fazer mais.<\/p>\n\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o cinema e a tradi\u00e7\u00e3o oral come\u00e7a j\u00e1 a ter uma bibliografia relativamente vasta, sobretudo para os pa\u00edses que foram col\u00f3nias francesas.<br\/>Para dar apenas dois exemplos, Sangar\u00e9 (2023), ou Ebanda, (2013), mas o tema da oralidade tem sido normalmente estudado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o ou aos restos da tradi\u00e7\u00e3o transmitidos oralmente, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra, esquecendo outras componentes essenciais dessa tradi\u00e7\u00e3o como a corporeidade, por exemplo a dan\u00e7a &#8211; cada vez mais presente, por exemplo em obras recentes de autores da Guin\u00e9-Bissau ou de Mo\u00e7ambique &#8211; ou a m\u00fasica: Sobre esta, uma breve introdu\u00e7\u00e3o em Leal (2011), ou o estudo geral sobre na\u00e7\u00e3o e m\u00fasica, incluindo as rela\u00e7\u00f5es desta \u00faltima com o cinema em Moorman, (2008). No sentido em que Moorman estuda a m\u00fasica e a oralidade, ou seja, como manifesta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea que inclui a palavra falada, seria necess\u00e1rio trabalhar um tema pouco investigado, o da oralidade popular n\u00e3o tradicional, muitas vezes mediatizada, nos pa\u00edses africanos e a sua express\u00e3o no cinema.<\/p>\n\n<p>A dramaturgia tradicional e contempor\u00e2nea e a sua rela\u00e7\u00e3o com o cinema \u00e9 outro tema proposto por este painel. Como exemplos, a import\u00e2ncia do teatro ioruba na populariza\u00e7\u00e3o do cinema nigeriano pr\u00e9-Nollywood, a participa\u00e7\u00e3o dos membros do grupo Mutumbela Gogo no cinema mo\u00e7ambicano, ou o cruzamento entre poesia, teatro e cinema no trabalho art\u00edstico de Sarah Maldoror (Pi\u00e7arra, 2020), ou a atual produ\u00e7\u00e3o de cinema &#8220;vernacular&#8221; por companhias de teatro amador na Guin\u00e9-Bissau (Laranjeiro, 2023).<\/p>\n\n<p>Outra linha importante que merece ser desenvolvida \u00e9 a avan\u00e7ada por Marie Pierre-Bouthier (2017), ao analisar as rela\u00e7\u00f5es entre os cinemas marroquino e tunisino e o sistema de arte, que favorecem a circula\u00e7\u00e3o de temas e autores em esferas nacionais e transnacionais. Numa perspetiva diferente mas complementar, poder-se-ia tamb\u00e9m estudar em que medida a aten\u00e7\u00e3o dada aos artistas nacionais contribuiu para o crescimento do cinema documental em alguns pa\u00edses, e mesmo para a sobreviv\u00eancia de empresas de produ\u00e7\u00e3o privadas.<\/p>\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural do s\u00e9culo XXI em \u00c1frica tamb\u00e9m foi transformada pelo processo de digitaliza\u00e7\u00e3o de ferramentas e plataformas. Este processo de democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o permitiu que v\u00e1rios artistas desenvolvessem carreiras internacionais de diferentes formas, consolidando traject\u00f3rias e tendo acesso a financiamentos internacionais. O cinema beneficiou significativamente destes novos meios e ferramentas, levando \u00e0 emerg\u00eancia de um novo tipo de artefacto cultural, como explicam Ukadike (2000), Ezepue (2020) ou Oguamanam (2020).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O painel prop\u00f5e-se aprofundar as rela\u00e7\u00f5es que os cinemas africanos mant\u00eam com outras formas de express\u00e3o, da literatura \u00e0 m\u00fasica, da oralidade \u00e0s tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o, das artes est\u00e1ticas \u00e0 dan\u00e7a e \u00e0s artes performativas. Estas experi\u00eancias t\u00eam muitas vezes a ver com a afirma\u00e7\u00e3o da identidade ap\u00f3s os processos de descoloniza\u00e7\u00e3o, bastando pensar na presen\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o oral, que desde as primeiras d\u00e9cadas ap\u00f3s a independ\u00eancia se manifestou de formas muito diferentes: desde o experimentalismo colaborativo de La zerda ou les chants de l&#8217;oubli (1979) &#8211; a romancista Assia Djebar, o poeta Malek Aloula e o m\u00fasico Ahmed Essyad &#8211; at\u00e9 \u00e0s narrativas mais convencionais de Semb\u00e8ne, ou Alassane. Se no in\u00edcio a investiga\u00e7\u00e3o sobre as suas pr\u00f3prias formas, que implicitamente nega a tradicional divis\u00e3o entre as artes, \u00e9 realizada num contexto de pan-africanismo militante que deve ser inserido no internacionalismo mais amplo do Terceiro Cinema, a partir da segunda metade dos anos 80 o panorama internacional muda, e o contexto ser\u00e1 muito diferente. Nele, assistimos ao colapso dos cinemas nacionais, \u00e0 perda da import\u00e2ncia social do cinema, \u00e0 sua depend\u00eancia do capital estrangeiro no \u00e2mbito do transnacionalismo capitalista. A rela\u00e7\u00e3o com a tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e oral ser\u00e1 importante na reinven\u00e7\u00e3o dos cinemas nacionais a partir dos anos 90, mas tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o cada vez mais direta de muitos dos cineastas com outras manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e com o sistema da arte.<\/p>\n","protected":false},"author":81,"featured_media":0,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3217","panel","type-panel","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/81"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5314,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3217\/revisions\/5314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}