{"id":3416,"date":"2024-06-12T19:47:42","date_gmt":"2024-06-12T17:47:42","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/infraestruturas-sobrecarregadas-perspetivas-comparativas-sobre-mobilidade-urbana-e-deslocamento-na-africa\/"},"modified":"2024-08-09T18:26:52","modified_gmt":"2024-08-09T16:26:52","slug":"infraestruturas-sobrecarregadas-perspetivas-comparativas-sobre-mobilidade-urbana-e-deslocamento-na-africa","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/infraestruturas-sobrecarregadas-perspetivas-comparativas-sobre-mobilidade-urbana-e-deslocamento-na-africa\/","title":{"rendered":"56. Infraestruturas sobrecarregadas. Perspetivas comparativas sobre mobilidade urbana e deslocamento na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Cidades de todo o mundo t\u00eam desenvolvido, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, novos planos de mobilidade, transporte e infraestrutura (Beck, K.; Klaeger, G. &amp; Stasik, M. 2017, Dalakoglou 2017, Dalakoglou &amp; Harvey, 2012; Harvey &amp; Knox, 2015, Horta &amp; Malet 2014, Melnik 2018). S\u00e3o dispositivos tecnopol\u00edticos comprometidos n\u00e3o s\u00f3 com modelos de deslocamento, mas tamb\u00e9m com novos usos e novas formas de locomo\u00e7\u00e3o. Nesta din\u00e2mica, os pa\u00edses e cidades do Sul Global registam tentativas de &#8220;moderniza\u00e7\u00e3o&#8221; dos seus sistemas e modelos de mobilidade. Estes v\u00e3o al\u00e9m da renova\u00e7\u00e3o dos sistemas log\u00edsticos e da frota de ve\u00edculos, e muitas vezes consistem na retomada da presen\u00e7a direta do Estado no governo da mobilidade urbana e interurbana. A tudo isto, h\u00e1 que acrescentar a chegada de plataformas \u2013 como a Uber ou a Bolt \u2013 \u00e0s quais se somam outras desenvolvidas localmente. As promessas de melhorar a mobilidade s\u00e3o apresentadas, seja por quem as implementa, seja por institui\u00e7\u00f5es e agendas internacionais, como um caminho para a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econ\u00f4mico, este \u00faltimo muitas vezes entendido apenas sob o prisma do neoliberalismo. No entanto, estes novos modelos de mobilidade, bem como os meios de transporte e as infraestruturas que os implantam, s\u00e3o rapidamente sobrecarregados por utiliza\u00e7\u00f5es inesperadas, novas tecnologias, novos ve\u00edculos e meios de mobilidade, que podem contradizer estes planos. Verificamos tamb\u00e9m, j\u00e1 a n\u00edvel global, a emerg\u00eancia de novos meios de transporte de pessoas e bens que utilizam novas tecnologias, modelos de neg\u00f3cio (como economias de plataforma, Kenney e Zysman 2016, Rogers 2016) e infraestruturas \u2013 rec\u00e9m-constru\u00eddas ou j\u00e1 presentes \u2013 de formas que os urbanistas n\u00e3o tinham planeado, muitas vezes no limite da legalidade e das regras de tr\u00e2nsito,  e, por vezes, provocando o colapso da infraestrutura que utilizam. Ao mesmo tempo, estas supostas novas formas de mobilidade est\u00e3o interligadas e combinadas com as j\u00e1 estabelecidas, bem como com formas de governa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do trabalho que as moldam de forma \u00fanica em cada contexto. Neste painel propomos discutir como estes processos de transbordamento s\u00e3o compar\u00e1veis e ressoam entre si, e que uma compara\u00e7\u00e3o entre din\u00e2micas identificadas em v\u00e1rias cidades africanas pode ajudar a desenvolver um quadro geral para as mobilidades contempor\u00e2neas. Queremos faz\u00ea-lo contrastando estes processos de implementa\u00e7\u00e3o de novas mobilidades urbanas e formas de transporte em v\u00e1rias cidades africanas, mas compreendendo que os casos retirados de cidades do Sul global podem fornecer pistas para compreender din\u00e2micas que, embora se apresentem de forma diferente, tamb\u00e9m ocorrem no Norte global. Nossa compara\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio, sugere analisar essas cidades como radicalmente contempor\u00e2neas. Embora os modelos de mobilidade, as tecnologias e as infraestruturas implementadas possam parecer muito diferentes, os problemas por elas gerados s\u00e3o, no entanto, semelhantes: geram meios de transporte que utilizam novas tecnologias, muitas vezes no limite da legalidade e das regras de tr\u00e2nsito, e sobrecarregam as infraestruturas que utilizam. O ponto de partida ser\u00e1, em todo o caso, a mobilidade quotidiana e a forma como a s\u00e9rie de processos mencionados nas linhas anteriores se materializa e toma forma, condicionando o acesso e a exclus\u00e3o de servi\u00e7os e oportunidades por parte de diferentes grupos. Desta forma, al\u00e9m de atender \u00e0 dimens\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e log\u00edstica dos diferentes sistemas de mobilidade que s\u00e3o comparados, o painel tem como objetivo analisar e discutir o conjunto da mobilidade urbana em diferentes cidades e a forma como v\u00e1rios grupos s\u00e3o incorporados a ela e, assim, ver certos direitos garantidos ou negados. Este simp\u00f3sio orienta-se como uma contribui\u00e7\u00e3o para uma antropologia de infraestruturas e modelos de mobilidade (Sheller &amp; Urry, 2006; Urry, 2006; Grieco &amp; Urry, 2011; Salazar &amp; Jayaram, 2016), no qual foi mostrado como os sistemas de deslocamento urbano articulam narrativas sobre globaliza\u00e7\u00e3o e promessas de futuro e conectividade, mas tamb\u00e9m materialidades espec\u00edficas e tang\u00edveis em tempos e espa\u00e7os particulares. Tudo isto no quadro do que \u00e9 reconhecido como o (novo) paradigma da mobilidade (Urry, 2006; Sheller &amp; Urry, 2006; Grieco &amp; Urry, 2011; Salazar, N. &amp; Jayaram, K. 2016), que nos permite situar infraestruturas, institui\u00e7\u00f5es e planeamento espec\u00edficos, e as rela\u00e7\u00f5es materiais e sociais que implicam, ligando-os a diferentes \u00e1reas e escalas \u2013 materialidade e subjetividades; Estado e sociedade; capitalismo global e contextos locais; a\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de infraestruturas e condi\u00e7\u00f5es quotidianas de exist\u00eancia \u2013 sem descurar a forma como os planos e projetos de planeamento de viagens urbanas s\u00e3o frequentemente sobrecarregados por usos, necessidades, dota\u00e7\u00f5es e alternativas imprevistos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A antropologia das infraestruturas e dos modelos de mobilidade mostra como os sistemas de transporte e as formas de desloca\u00e7\u00e3o urbana n\u00e3o s\u00e3o meras instala\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m o resultado de din\u00e2micas sociais e imagin\u00e1rios complexos, que lhes conferem significado e valor para al\u00e9m da sua funcionalidade t\u00e9cnica. Tudo isto no quadro do que se reconhece como o (novo) paradigma da mobilidade, que permite situar infraestruturas, institui\u00e7\u00f5es e planeamento espec\u00edficos, e as rela\u00e7\u00f5es materiais e sociais que implicam, ligando-os a diferentes \u00e1reas e escalas, sem descurar a forma como os planos, projetos, infraestruturas e equipamentos de mobilidade s\u00e3o muitas vezes sobrecarregados pelos usos,  necessidades, dota\u00e7\u00f5es e alternativas imprevistas. Neste painel propomos aplicar esta perspetiva ao continente africano de forma a identificar e analisar v\u00e1rios processos que t\u00eam infraestruturas e modelos de mobilidade no centro. Queremos faz\u00ea-lo contrastando a din\u00e2mica log\u00edstica da implementa\u00e7\u00e3o de novas mobilidades urbanas no Sul global a partir de v\u00e1rios casos de cidades africanas de diferentes dimens\u00f5es e perfis. Pretendemos aplicar uma perspetiva que nos convida a analis\u00e1-los como m\u00faltiplos e diferentes processos de neoliberaliza\u00e7\u00e3o, sujeitos \u00e0 complexidade das din\u00e2micas institucionais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, urbanas e de servi\u00e7o p\u00fablico, tendo em conta sua complexidade e o modo como se concretizam nas formas cotidianas de deslocamento.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":0,"template":"","congreso":[92],"class_list":["post-3416","panel","type-panel","status-publish","hentry","congreso-ciea12-pt-pt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5735,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3416\/revisions\/5735"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}