{"id":3452,"date":"2024-06-12T20:13:12","date_gmt":"2024-06-12T18:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/vozes-e-visoes-explorando-lugares-pos-coloniais-atraves-da-co-criacao-audiovisual-participativa\/"},"modified":"2024-08-09T15:44:15","modified_gmt":"2024-08-09T13:44:15","slug":"vozes-e-visoes-explorando-lugares-pos-coloniais-atraves-da-co-criacao-audiovisual-participativa","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/vozes-e-visoes-explorando-lugares-pos-coloniais-atraves-da-co-criacao-audiovisual-participativa\/","title":{"rendered":"27. Vozes e Vis\u00f5es: Explorar lugares p\u00f3s-coloniais atrav\u00e9s da co-cria\u00e7\u00e3o audiovisual participativa"},"content":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o para resolver as desigualdades epistemol\u00f3gicas persistentes na investiga\u00e7\u00e3o sobre as realidades africanas deu origem a quest\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento partilhado e a formas de construir uma investiga\u00e7\u00e3o mais inclusiva. Para responder ao desafio de descolonizar a investiga\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias sociais, os acad\u00e9micos recorreram a m\u00e9todos audiovisuais participativos. Al\u00e9m disso, estas abordagens permitem-nos enfrentar os desafios metodol\u00f3gicos da liga\u00e7\u00e3o ao imediatismo da experi\u00eancia humana de uma forma afectiva e frequentemente n\u00e3o verbal e imersiva. O estudo de aspectos da experi\u00eancia incorporada que est\u00e3o enraizados nas rela\u00e7\u00f5es imediatas das pessoas com mundos tang\u00edveis ou intang\u00edveis coloca muitas vezes desafios aos m\u00e9todos qualitativos tradicionais das ci\u00eancias sociais e exige abordagens que ultrapassam os limites do discurso. Procurando identificar &#8220;novas rotas emp\u00e1ticas atrav\u00e9s das quais mediar o conhecimento quotidiano&#8221; (Pink 2011, 451), os m\u00e9todos audiovisuais participativos podem ajudar a despertar mem\u00f3rias que, de outra forma, seriam nebulosas, bem como ilustrar e comunicar este passado a um observador externo. Este painel pretende explorar esta intersec\u00e7\u00e3o entre a antropologia audiovisual, as abordagens de investiga\u00e7\u00e3o participativa e o estudo do tang\u00edvel e do intang\u00edvel na \u00c1frica p\u00f3s-colonial. Os m\u00e9todos audiovisuais participativos requerem um envolvimento ativo e prestam-se \u00e0 co-cria\u00e7\u00e3o, ajudando assim a flexibilizar as hierarquias em contextos de desigualdade de poder &#8211; um desafio com que se deparam muitos etn\u00f3grafos externos. Utilizados de forma respons\u00e1vel, estes m\u00e9todos podem ajudar as comunidades a assumir o controlo das suas narrativas: exprimindo prioridades e afectos atrav\u00e9s do seu pr\u00f3prio olhar e utilizando a sua pr\u00f3pria voz. Muitas vezes, o processo de coprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menos importante e edificante do que os produtos finais: no seu melhor, o ambiente de laborat\u00f3rio dos workshops de forma\u00e7\u00e3o e das sess\u00f5es de elicita\u00e7\u00e3o pode ter benef\u00edcios adicionais para as comunidades (por exemplo, aperfei\u00e7oando compet\u00eancias e abrindo novas vias de co-cria\u00e7\u00e3o) e para o investigador (por exemplo, informando-o sobre as din\u00e2micas e prioridades do poder social). Os meios audiovisuais, que nos permitem captar e transmitir afectos atrav\u00e9s de imagens sonoras e visuais, tornaram-se um est\u00edmulo importante para suscitar as pr\u00f3prias hist\u00f3rias e perspectivas das pessoas. Dado o potencial destas ferramentas para a antropologia sensorial de uma forma mais ampla (Pink 2006), perguntamos, portanto, como \u00e9 que os m\u00e9todos audiovisuais podem ajudar a compreender a experi\u00eancia dos lugares como mediada pelos sentidos? Convidamos contribui\u00e7\u00f5es que abordem a quest\u00e3o de como o envolvimento com os dom\u00ednios do som e da imagem pode permitir que tanto o investigador como os participantes evoquem v\u00e1rios significados, experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es (Glaw et al. 2017). Estamos particularmente interessados no potencial participativo e na aplica\u00e7\u00e3o de ferramentas audiovisuais, uma vez que estas t\u00eam demonstrado oferecer formas criativas de envolver os interlocutores. Ao envolverem-se numa investiga\u00e7\u00e3o audiovisual participativa, os autores desenvolveram a ideia de &#8220;autoridade partilhada&#8221; (Bodenstein e Waldburger 2021). Desta forma, as abordagens de investiga\u00e7\u00e3o participativa desafiam as din\u00e2micas de poder historicamente enraizadas, permitindo que as comunidades interessadas em contextos p\u00f3s-coloniais se apropriem mais do processo de investiga\u00e7\u00e3o (Pauwels 2015). De seguida, descrevemos as abordagens metodol\u00f3gicas concretas que consideramos relevantes para os desafios acima descritos. No entanto, outros m\u00e9todos neste sentido s\u00e3o bem-vindos. A fotografia e a videografia participativas (Cumming e Norwood 2012) t\u00eam sido aplicadas em v\u00e1rias disciplinas acad\u00e9micas para permitir que os participantes controlem melhor as suas narrativas e perspectivas (Latz 2017). Estes m\u00e9todos, como a voz fotogr\u00e1fica (Gubrium e Harper 2016, McLees 2013), levantam quest\u00f5es sobre a autoridade de quem fotografa quem, exigindo que o investigador abdique do controlo da c\u00e2mara. Por conseguinte, pode funcionar como uma ferramenta p\u00f3s-colonial para contrariar os estere\u00f3tipos perpetuados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o visuais. Al\u00e9m disso, este painel est\u00e1 interessado em trabalhos que explorem a forma como as ferramentas audiovisuais, tais como &#8220;walking with video&#8221; (Pink 2007) e &#8220;sound walks&#8221; (Butler 2007), combinam m\u00e9todos audiovisuais e baseados no movimento para estudar lugares. Reconhecendo o corpo como locus do nosso conhecimento e experi\u00eancia (Desjarlais e Throop 2011: 89), estes m\u00e9todos criam encontros com ambientes (n\u00e3o) humanos que podem levar a uma contextualiza\u00e7\u00e3o espacial mais profunda de hist\u00f3rias, experi\u00eancias ou mem\u00f3rias. Para explorar as intersec\u00e7\u00f5es entre a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento e a cria\u00e7\u00e3o de lugares, est\u00e3o j\u00e1 a ser utilizados m\u00e9todos inovadores como as entrevistas a p\u00e9 (Anderson 2004; Butler e Derrett 2014) e os &#8220;go-alongs&#8221; (Kusenbach 2003), que podem ser complementados por dimens\u00f5es audiovisuais. Mesmo que n\u00e3o sejam rotulados como &#8220;participativos&#8221; per se, outros m\u00e9todos t\u00eam demonstrado equilibrar as rela\u00e7\u00f5es de poder atrav\u00e9s do ato de desenhar e da cria\u00e7\u00e3o colaborativa de material etnogr\u00e1fico que permite o acesso a afectos e experi\u00eancias situados no espa\u00e7o. \u00c9 o caso, por exemplo, do mapeamento sensorial e mental, que nos permite ir al\u00e9m das concep\u00e7\u00f5es representacionais dos mapas para visualizar emo\u00e7\u00f5es e sensibilidades (Mekdjian e Olmedo 2016). Reconhecendo que esses mapas podem revelar a import\u00e2ncia subjectiva de certos marcos e lugares (Trell e Van Hoven 2010), podem ajudar a estabelecer um conhecimento descolonial, por exemplo, desafiando as orienta\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas convencionais a partir de perspectivas ind\u00edgenas. Da mesma forma, este painel acolhe contribui\u00e7\u00f5es sob a forma de esbo\u00e7os, banda desenhada e outras produ\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas. Os desenhos, por exemplo, deixam mais espa\u00e7o para a criatividade dos participantes e t\u00eam o poder de recriar &#8220;mem\u00f3rias sociais&#8221; (Afonso e Ramos 2004), mas tamb\u00e9m de imaginar futuros novos e alternativos. Os desenhos compreendem tanto &#8220;mem\u00f3rias como expectativas&#8221; e transformam-nas em &#8220;enredos&#8221;, revelando assim diferentes envolvimentos entre passado, presente e futuro (Aalders 2020, 64). Como \u00e9 que o desenho antropol\u00f3gico pode funcionar como uma ferramenta para tornar vis\u00edvel o invis\u00edvel (Causey 2017), por exemplo, no contexto da perten\u00e7a ou das mem\u00f3rias de perda? Por \u00faltimo, este painel pretende tamb\u00e9m abrir o debate em torno de decis\u00f5es concretas relacionadas com a utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos audiovisuais participativos, tais como a escolha de equipamento adequado, a sele\u00e7\u00e3o dos participantes e a organiza\u00e7\u00e3o de forma\u00e7\u00f5es e workshops. Al\u00e9m disso, convidamos os acad\u00e9micos a refletir sobre as considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas que envolvem esses m\u00e9todos, nomeadamente no que diz respeito \u00e0 propriedade dos dados, \u00e0 confidencialidade e \u00e0 privacidade, \u00e0s quest\u00f5es de restitui\u00e7\u00e3o, aos resultados partilhados e \u00e0 responsabilidade social. Este painel baseia-se na nossa investiga\u00e7\u00e3o sobre os legados de interven\u00e7\u00f5es de desenvolvimento internacional passadas na \u00c1frica Oriental, no \u00e2mbito da ERC Starting Grant AfDevLives no Iscte &#8211; Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa. Inspirado pela natureza interdisciplinar do nosso trabalho, este painel est\u00e1 aberto a uma variedade de estudos de caso, orienta\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o e focos regionais em todo o continente. Da religi\u00e3o \u00e0 sa\u00fade, do g\u00e9nero aos estudos urbanos, gostar\u00edamos de criar um f\u00f3rum interdisciplinar sobre passados multifacetados em contextos africanos que encoraje a co-cria\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para responder ao desafio da descoloniza\u00e7\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias sociais, os acad\u00e9micos t\u00eam-se voltado para aplica\u00e7\u00f5es criativas do audiovisual participativo em v\u00e1rios contextos africanos. Procurando identificar &#8220;novas rotas emp\u00e1ticas atrav\u00e9s das quais mediar o conhecimento quotidiano&#8221; (Pink 2011, 451), estes m\u00e9todos podem ajudar a despertar mem\u00f3rias que, de outra forma, seriam nebulosas, ilustrando e comunicando este passado a um observador externo, ao mesmo tempo que se ligam ao imediatismo da experi\u00eancia humana de uma forma afectiva e, muitas vezes, n\u00e3o verbal. Os dom\u00ednios do som e da imagem podem permitir ao investigador e aos participantes evocar v\u00e1rios sentidos, significados, experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es. Estes m\u00e9todos tornaram-se um est\u00edmulo importante para estimular as hist\u00f3rias das pessoas e as perspectivas ind\u00edgenas. Utilizados de forma respons\u00e1vel, podem ajudar os participantes a assumir o controlo das suas narrativas: exprimindo prioridades atrav\u00e9s do seu pr\u00f3prio olhar e utilizando a sua pr\u00f3pria voz. Muitas vezes, o processo de coprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 menos importante e edificante do que os produtos finais, tanto para as comunidades (por exemplo, aperfei\u00e7oando compet\u00eancias e abrindo novas vias de co-cria\u00e7\u00e3o) como para o investigador (por exemplo, informando-o sobre as din\u00e2micas e prioridades do poder social). Este painel explora a intersec\u00e7\u00e3o entre m\u00e9todos qualitativos audiovisuais, abordagens de investiga\u00e7\u00e3o participativa e o estudo do tang\u00edvel e do intang\u00edvel na \u00c1frica p\u00f3s-colonial. Os apresentadores s\u00e3o convidados a partilhar as suas experi\u00eancias &#8211; independentemente da disciplina &#8211; empregando m\u00e9todos criativos estabelecidos e explorat\u00f3rios: fotografia e videografia participativas, antropologia gr\u00e1fica e mapeamento mental, audio walks e outros m\u00e9todos audiovisuais orientados para o movimento, entre outros. Incentivamos os debates sobre considera\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, por exemplo, equipamento, sele\u00e7\u00e3o de participantes, sess\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o, dilemas \u00e9ticos e efeitos em cascata da coprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"template":"","congreso":[92],"class_list":["post-3452","panel","type-panel","status-publish","hentry","congreso-ciea12-pt-pt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5583,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3452\/revisions\/5583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}