{"id":3461,"date":"2024-06-12T19:56:38","date_gmt":"2024-06-12T17:56:38","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/politicas-linguisticas-em-africa-praticas-e-questoes\/"},"modified":"2024-08-09T19:05:17","modified_gmt":"2024-08-09T17:05:17","slug":"politicas-linguisticas-em-africa-praticas-e-questoes","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/politicas-linguisticas-em-africa-praticas-e-questoes\/","title":{"rendered":"48. Pol\u00edticas lingu\u00edsticas em \u00c1frica: pr\u00e1ticas e quest\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>As pol\u00edticas lingu\u00edsticas s\u00e3o interven\u00e7\u00f5es na l\u00edngua. Regem as rela\u00e7\u00f5es entre as l\u00ednguas, geralmente no \u00e2mbito dos Estados. A an\u00e1lise destes dados leva \u00e0 seguinte conclus\u00e3o. Por um lado, a constru\u00e7\u00e3o de Estados-na\u00e7\u00e3o com base na escolha de uma \u00fanica l\u00edngua para um Estado, a globaliza\u00e7\u00e3o e a industrializa\u00e7\u00e3o, bem como as novas tecnologias e a geopol\u00edtica, alteraram a paisagem lingu\u00edstica da maioria dos pa\u00edses ou regi\u00f5es do mundo. Por outro lado, h\u00e1 que distinguir sempre entre as l\u00ednguas efetivamente faladas num pa\u00eds e a gest\u00e3o oficial dessas l\u00ednguas. O multilinguismo \u00e9 uma carater\u00edstica de todos os pa\u00edses do mundo. Por conseguinte, s\u00e3o obrigados a adotar pol\u00edticas lingu\u00edsticas. A pol\u00edtica lingu\u00edstica \u00e9 um conjunto de medidas que um Estado adopta em rela\u00e7\u00e3o a uma ou mais l\u00ednguas faladas no territ\u00f3rio sob a sua soberania, a fim de modificar o corpus ou o estatuto da l\u00edngua, geralmente para apoiar a sua utiliza\u00e7\u00e3o e, por vezes, para limitar a sua expans\u00e3o. A pol\u00edtica lingu\u00edstica pode consistir em desenvolver o corpus de uma l\u00edngua atrav\u00e9s da normaliza\u00e7\u00e3o da ortografia e do l\u00e9xico, ou em incentivar a cria\u00e7\u00e3o de terminologia. Tamb\u00e9m pode ser resumido como a altera\u00e7\u00e3o do estatuto de uma l\u00edngua, declarando-a oficial. Por \u00faltimo, a pol\u00edtica lingu\u00edstica pode recriar uma l\u00edngua cujo uso se perdeu. Se olharmos para a hist\u00f3ria das pol\u00edticas lingu\u00edsticas em todo o mundo, existem tr\u00eas categorias principais: interven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica lingu\u00edstica intervencionista visa acelerar ou abrandar a evolu\u00e7\u00e3o normal de uma l\u00edngua, reduzindo, aumentando ou eliminando a concorr\u00eancia entre l\u00ednguas. Este tipo de pol\u00edtica raramente se baseia em raz\u00f5es puramente lingu\u00edsticas. Est\u00e1 frequentemente ligado a projectos sociais formulados com base em objectivos culturais, econ\u00f3micos e pol\u00edticos. Os governos adoptam medidas de incentivo ou coercivas. Baseia-se tamb\u00e9m no poder, na atra\u00e7\u00e3o ou no prest\u00edgio das l\u00ednguas umas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras. A interven\u00e7\u00e3o do Estado \u00e9 o tipo mais comum de pol\u00edtica lingu\u00edstica praticada em todo o mundo. As constitui\u00e7\u00f5es da maioria dos pa\u00edses incluem disposi\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas. Actuamos sobre as rela\u00e7\u00f5es entre as l\u00ednguas faladas num pa\u00eds, alterando o seu estatuto m\u00fatuo. Por outro lado, a pol\u00edtica lingu\u00edstica de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o consiste em escolher o caminho da complac\u00eancia, em ignorar os problemas quando eles surgem e em deixar evoluir o equil\u00edbrio de poderes. Na pr\u00e1tica, este planeamento funciona a favor da l\u00edngua dominante. \u00c9 a isto que Didier de Robillard chama &#8220;pol\u00edtica lingu\u00edstica por defeito&#8221;. Um governo n\u00e3o intervencionista n\u00e3o actua como \u00e1rbitro e abst\u00e9m-se de adotar disposi\u00e7\u00f5es constitucionais ou legislativas sobre as l\u00ednguas. No \u00e2mbito da pol\u00edtica lingu\u00edstica assimilacionista, o Estado utiliza meios planeados para acelerar a assimila\u00e7\u00e3o das minorias. Para a maioria dos pa\u00edses, a escolha da pol\u00edtica lingu\u00edstica continua a ser uma quest\u00e3o crucial. A l\u00edngua e o poder est\u00e3o intimamente ligados. As rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas estabelecidas entre as l\u00ednguas em contacto numa dada sociedade s\u00e3o geradas pela distribui\u00e7\u00e3o do poder. Por conseguinte, qualquer mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica implica que a l\u00edngua ou as l\u00ednguas do poder sejam postas em causa e, consequentemente, que a paisagem lingu\u00edstica se altere. Nestes casos, os governos recorrem ao &#8220;planeamento lingu\u00edstico&#8221;. Didier de Robillard define-a como uma atividade cient\u00edfica que incorpora frequentemente conhecimentos multidisciplinares, dada a complexidade das quest\u00f5es envolvidas, e que procura descrever, estudar e propor solu\u00e7\u00f5es e formas pr\u00e1ticas de melhorar situa\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas consideradas &#8220;problem\u00e1ticas&#8221;. Por outras palavras, a planifica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 um processo pol\u00edtico e administrativo destinado a modificar o c\u00f3digo lingu\u00edstico (ou seja, o corpus da l\u00edngua, a l\u00edngua como sistema) ou a distribui\u00e7\u00e3o funcional (ou seja, o estatuto social ou o papel das l\u00ednguas) ou ambos. Segundo Didier de Robillard, a planifica\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica tem duas vertentes &#8211; fixar os objectivos a atingir em termos de utiliza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas em contacto num determinado territ\u00f3rio nacional, quer por um governo quer por uma institui\u00e7\u00e3o; &#8211; definir as medidas a tomar, o trabalho a realizar, as despesas a prever e a suportar para atingir os objectivos. A hist\u00f3ria, a constru\u00e7\u00e3o dos Estados-na\u00e7\u00e3o e a globaliza\u00e7\u00e3o, bem como as novas tecnologias e a geopol\u00edtica, alteraram a paisagem (socio)lingu\u00edstica dos pa\u00edses africanos. Confrontados com o desafio do multilinguismo, os governos adoptaram medidas de pol\u00edtica lingu\u00edstica. Para os governos africanos, a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 crucial para a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas nacionais e de desenvolvimento. Em que l\u00edngua(s) deve ser ministrada a educa\u00e7\u00e3o, a administra\u00e7\u00e3o ou a justi\u00e7a? Que l\u00ednguas devem ser utilizadas nas trocas econ\u00f3micas e nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, ou na ci\u00eancia e na tecnologia? Este painel tem como objetivo analisar as situa\u00e7\u00f5es sociolingu\u00edsticas dos pa\u00edses africanos. Examina tamb\u00e9m a coexist\u00eancia e a utiliza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas. Estuda tamb\u00e9m as pr\u00e1ticas lingu\u00edsticas, as ideologias e as representa\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas. As contribui\u00e7\u00f5es podem examinar, mas n\u00e3o se limitam a: &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas; &#8211; pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica; &#8211; apropria\u00e7\u00e3o e did\u00e1tica da l\u00edngua; &#8211; estatuto da l\u00edngua; &#8211; pr\u00e1ticas lingu\u00edsticas; &#8211; an\u00e1lise do discurso lingu\u00edstico; &#8211; representa\u00e7\u00f5es e ideologias lingu\u00edsticas; &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas e desenvolvimento socioecon\u00f3mico; &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas e globaliza\u00e7\u00e3o; &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas e revolu\u00e7\u00e3o digital; &#8211; g\u00e9nero e pol\u00edticas lingu\u00edsticas; &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas e tradu\u00e7\u00e3o; &#8211; pol\u00edticas lingu\u00edsticas e pr\u00e1tica da medicina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria, a constru\u00e7\u00e3o dos Estados-na\u00e7\u00e3o e a globaliza\u00e7\u00e3o, bem como as novas tecnologias e a geopol\u00edtica, alteraram a paisagem (socio)lingu\u00edstica dos pa\u00edses africanos. Confrontados com o desafio do multilinguismo, os governos adoptaram medidas de pol\u00edtica lingu\u00edstica. A pol\u00edtica lingu\u00edstica \u00e9 um conjunto de medidas adoptadas por um Estado em rela\u00e7\u00e3o a uma ou mais l\u00ednguas faladas no territ\u00f3rio sob a sua soberania, com o objetivo de modificar o seu corpus ou estatuto, geralmente para apoiar a sua utiliza\u00e7\u00e3o e, por vezes, para limitar a sua expans\u00e3o. Pode tratar-se de desenvolver o corpus de uma l\u00edngua, normalizando a ortografia e o l\u00e9xico ou incentivando a cria\u00e7\u00e3o de terminologia. Tamb\u00e9m pode ser resumido como a altera\u00e7\u00e3o do estatuto de uma l\u00edngua, declarando-a oficial. Por \u00faltimo, a pol\u00edtica lingu\u00edstica pode recriar uma l\u00edngua cujo uso se perdeu. No entanto, h\u00e1 que distinguir entre as l\u00ednguas efetivamente faladas num pa\u00eds e a gest\u00e3o oficial dessas l\u00ednguas. Para os governos africanos, a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 crucial para a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas nacionais e de desenvolvimento. Em que l\u00edngua(s) deve ser ministrada a educa\u00e7\u00e3o, a administra\u00e7\u00e3o ou a justi\u00e7a? Que l\u00ednguas devem ser utilizadas nas trocas econ\u00f3micas e nas rela\u00e7\u00f5es internacionais, ou na ci\u00eancia e na tecnologia? Este painel tem como objetivo analisar as situa\u00e7\u00f5es sociolingu\u00edsticas dos pa\u00edses africanos. Examina tamb\u00e9m a coexist\u00eancia e a utiliza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas. 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