{"id":3524,"date":"2024-06-12T19:52:34","date_gmt":"2024-06-12T17:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/o-poder-e-a-capacitacao-das-mulheres-africanas-em-tempos-descoloniais-desafios-metodologicos-e-implicacoes-experimentais\/"},"modified":"2025-01-24T02:58:44","modified_gmt":"2025-01-24T01:58:44","slug":"o-poder-e-a-capacitacao-das-mulheres-africanas-em-tempos-descoloniais-desafios-metodologicos-e-implicacoes-experimentais","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/o-poder-e-a-capacitacao-das-mulheres-africanas-em-tempos-descoloniais-desafios-metodologicos-e-implicacoes-experimentais\/","title":{"rendered":"53. O poder e a capacita\u00e7\u00e3o das mulheres africanas em tempos descoloniais: desafios metodol\u00f3gicos e implica\u00e7\u00f5es experimentais."},"content":{"rendered":"\n<p>O fator g\u00e9nero, com uma presen\u00e7a crescente nos estudos e pol\u00edticas de desenvolvimento subsarianos desde os anos 60 (WID, Women in Development), assumiu um papel central \u00e0 medida que o s\u00e9culo XXI avan\u00e7ava. E n\u00e3o s\u00f3 no mundo do desenvolvimento e da constru\u00e7\u00e3o da sociedade global, mas tamb\u00e9m no pensamento descolonial. Se esta abordagem se est\u00e1 a tornar um pilar da vis\u00e3o global do mundo, apesar da controv\u00e9rsia que gera nas sociedades desenvolvidas e apesar do desinteresse que parece suscitar em muitos colectivos africanos, \u00e9 em parte porque se alimenta como uma componente fundamental do movimento feminista, hoje incontorn\u00e1vel. No descolonialismo, tanto a terceira vaga (com a interseccionalidade das condi\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias das diferentes mulheres) como a chamada quarta vaga (com o seu ativismo e a sua proje\u00e7\u00e3o na luta legal contra todas as formas de viol\u00eancia baseada no g\u00e9nero) se juntam. Mas tamb\u00e9m se alimentam mutuamente, pelo que o descolonialismo \u00e9 uma das influ\u00eancias palp\u00e1veis no movimento feminista atual.<\/p>\n\n<p>Por mais surpreendente que possa parecer, esta converg\u00eancia n\u00e3o conduziu a um aprofundamento generalizado da compreens\u00e3o das singularidades dos pap\u00e9is e das rela\u00e7\u00f5es de g\u00e9nero em \u00c1frica, e muito menos \u00e0 ativa\u00e7\u00e3o das potencialidades correspondentes. Apesar da frequente nuance identit\u00e1ria* da coopera\u00e7\u00e3o feminista e descolonial, a \u00eanfase na circula\u00e7\u00e3o de discursos e na promo\u00e7\u00e3o de ac\u00e7\u00f5es continua a ser geralmente colocada no indiv\u00edduo, como o \u00fanico sujeito de direitos. Esta insist\u00eancia esbate, se n\u00e3o mesmo torna invis\u00edveis, as componentes colectivas das concep\u00e7\u00f5es e ac\u00e7\u00f5es das mulheres africanas, mas muitos estudos sugerem que n\u00e3o as desintegra. Talvez as pol\u00edticas e os projectos de empowerment (capacita\u00e7\u00e3o, autonomiza\u00e7\u00e3o&#8230;) ilustrem melhor do que qualquer outro esta ignor\u00e2ncia das estruturas locais, supostamente em busca do bem-estar dos n\u00f3s, dos indiv\u00edduos, que as criam, que as constituem.<\/p>\n\n<p>Correndo o risco de simplificar um quadro muito complexo, mas a fim de estimular a otimiza\u00e7\u00e3o do contraste de casos, o painel prop\u00f5e-se comparar e inter-relacionar as estrat\u00e9gias de empoderamento das mulheres africanas, geralmente em resposta a pol\u00edticas estatais ou internacionais, com as formas locais de poder em que estas mulheres est\u00e3o inseridas. N\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de escolha, evidentemente, mas de compreender a natureza e a solidez das decis\u00f5es e as linhas de for\u00e7a em que se baseiam. Este contraste pode ou n\u00e3o ser explicitado, mas \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o o perceber em situa\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o ou de coopera\u00e7\u00e3o em torno do eixo do g\u00e9nero. E a rea\u00e7\u00e3o a esta multiplicidade envolve desafios metodol\u00f3gicos, dilemas \u00e9ticos e, muitas vezes, ambival\u00eancias, cuja partilha o painel pretende incentivar. Tanto para refinar as interpreta\u00e7\u00f5es cient\u00edficas (sabendo que estamos a trabalhar com muitos dados qualitativos), como para desvendar as implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da investiga\u00e7\u00e3o (a necessidade de reconhecimento pol\u00edtico dos sujeitos colectivos de direitos, com as implica\u00e7\u00f5es da introdu\u00e7\u00e3o da diversidade na linha de \u00e1gua da abordagem dos direitos).<\/p>\n\n<p>O painel \u00e9 o resultado de quatro anos de experi\u00eancia de investiga\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de uma equipa do GESA na Baixa Casaman\u00e7a (Senegal), uma experi\u00eancia diversificada mas com um \u00fanico foco no poder das mulheres: Sobre a gest\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00e9nero nos agregados familiares, sobre o poder local, econ\u00f3mico e pol\u00edtico das mulheres, sobre o seu papel na constru\u00e7\u00e3o da paz&#8230; A partir desta multidimensionalidade enraizada localmente, os membros da equipa abrem-se a compara\u00e7\u00f5es contextualizadas com outras partes do continente, com a sua pr\u00f3pria bagagem e com os pressupostos tradicionais&#8230; O objetivo \u00e9 criar sinergias e quebrar os silos entre estudos e experi\u00eancias, entre intelectuais activistas e mulheres activas de base, parafraseando Amadiume.<\/p>\n\n<p>Falamos de mulheres africanas e n\u00e3o de g\u00e9nero, embora n\u00e3o pretendamos excluir os homens ou a diversidade de orienta\u00e7\u00f5es sexuais que possam surgir nos estudos. Fazemo-lo, mesmo conhecendo a cr\u00edtica de uma Oyewum\u00ed Oyeronk\u00e9, como ponto de partida para os casos a contrastar, na medida em que as categorias colectivas traduz\u00edveis (de forma mais ou menos fi\u00e1vel) por &#8220;mulheres&#8221; t\u00eam uma s\u00e9rie de direitos e deveres colectivos facilmente distingu\u00edveis (embora sempre negoci\u00e1veis) nos direitos consuetudin\u00e1rios, nas tradi\u00e7\u00f5es, nas cristaliza\u00e7\u00f5es sociais locais a sul do Sara.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Correndo o risco de simplificar um quadro muito complexo, mas a fim de estimular a otimiza\u00e7\u00e3o do contraste de casos, o painel prop\u00f5e-se comparar e inter-relacionar as estrat\u00e9gias de empoderamento das mulheres africanas, geralmente em resposta a pol\u00edticas estatais ou internacionais, com as formas locais de poder em que estas mulheres est\u00e3o inseridas. N\u00e3o se trata de uma quest\u00e3o de escolha, evidentemente, mas de compreender a natureza e a solidez das decis\u00f5es e as linhas de for\u00e7a em que se baseiam. Este contraste pode ou n\u00e3o ser explicitado, mas \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o o perceber em situa\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o ou de coopera\u00e7\u00e3o em torno do eixo do g\u00e9nero. E a rea\u00e7\u00e3o a esta multiplicidade envolve desafios metodol\u00f3gicos, dilemas \u00e9ticos e, muitas vezes, ambival\u00eancias, cuja partilha o painel pretende incentivar. 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