{"id":3532,"date":"2024-06-12T20:12:21","date_gmt":"2024-06-12T18:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/novas-perspectivas-historiograficas-sobre-o-espaco-medieval-do-sara-dinamicas-humanas-e-intercambios-religiosos-e-intelectuais-intra-africanos-e-intra-islamicos-ate-ao-seculo-xv-xi-xvii\/"},"modified":"2024-08-09T15:59:44","modified_gmt":"2024-08-09T13:59:44","slug":"novas-perspectivas-historiograficas-sobre-o-espaco-medieval-do-sara-dinamicas-humanas-e-intercambios-religiosos-e-intelectuais-intra-africanos-e-intra-islamicos-ate-ao-seculo-xv-xi-xvii","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/novas-perspectivas-historiograficas-sobre-o-espaco-medieval-do-sara-dinamicas-humanas-e-intercambios-religiosos-e-intelectuais-intra-africanos-e-intra-islamicos-ate-ao-seculo-xv-xi-xvii\/","title":{"rendered":"28 Novas perspectivas historiogr\u00e1ficas sobre o espa\u00e7o medieval saariano: din\u00e2micas humanas e interc\u00e2mbios religiosos e intelectuais intra-africanos e intra-isl\u00e2micos at\u00e9 ao s\u00e9culo XV. XI\/XVII"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, assistiu-se a uma mudan\u00e7a de paradigma no estudo dos processos de islamiza\u00e7\u00e3o na \u00c1frica Ocidental, \u00e0 luz de novas perspectivas, mais cr\u00edticas e menos etnoc\u00eantricas, sobre a an\u00e1lise de provas textuais at\u00e9 ao s\u00e9culo XX. XI\/XVII. Os trabalhos de Hall (2013), Masonen (2000), Nobili (2020a) e Collet (2022), entre outros, t\u00eam sido fundamentais para desmontar a vis\u00e3o tradicionalmente estabelecida, tanto nos estudos \u00e1rabes e isl\u00e2micos como nos estudos africanos, centrada na &#8220;trindade&#8221; Gh\u0101na-M\u0101l\u012b-Songhay (Collet 2020). Uma vis\u00e3o que respondia ao pressuposto da representa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Sahel que os viajantes e ge\u00f3grafos \u00e1rabes medievais, muitas vezes sem conhecimento da regi\u00e3o, transmitiam sucessivamente uns aos outros, e que por sua vez foi incorporada nos primeiros projectos historiogr\u00e1ficos do Sahel ocidental a partir de meados do s\u00e9culo XX. <br\/>XI\/XVII Contrariamente aos problemas levantados pela escassez de provas textuais anteriores \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dos primeiros relatos escritos sobre o Isl\u00e3o na \u00c1frica Ocidental, elaborados no final do s\u00e9culo XI\/XVII, o mundo isl\u00e2mico continua em plena evolu\u00e7\u00e3o. X\/XVI em Timbuktu (Novo 2024), dado o seu car\u00e1cter externo, fragment\u00e1rio e profundamente etnoc\u00eantrico, os testemunhos materiais mostram claramente a exist\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es islamizadas no Sahel central e ocidental, pelo menos a partir do s\u00e9culo X. VI\/XII (Insoll 2023). <br\/>A aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o, no entanto, impede-nos, at\u00e9 \u00e0 data, de conhecer mais detalhadamente como se desenrolaram os processos de islamiza\u00e7\u00e3o e como surgiram as tradi\u00e7\u00f5es intelectuais isl\u00e2micas a sul do Saara, cujas primeiras obras escritas s\u00e3o, pelo menos, de quatro s\u00e9culos mais tarde. Neste sentido, se \u00e9 poss\u00edvel afirmar que na zona da curva m\u00e9dia do rio N\u00edger existe uma tradi\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica plenamente integrada na escola jur\u00eddica malikid no s\u00e9culo XVI, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que na zona da curva m\u00e9dia do rio N\u00edger existe uma tradi\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica plenamente integrada na escola jur\u00eddica malikid no s\u00e9culo XIX, e que a tradi\u00e7\u00e3o malikid de jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica ainda n\u00e3o \u00e9 conhecida. IX\/XV (Nobili 2020), as hip\u00f3teses sobre a liga\u00e7\u00e3o entre a difus\u00e3o do malikismo no Sahel e o movimento almor\u00e1vida, muito difundidas nos meios acad\u00e9micos (Ware 2014, Sanneh 2016, Wright 2023), n\u00e3o s\u00e3o suficientemente fundamentadas devido \u00e0 impossibilidade de rastrear as cadeias de transmiss\u00e3o desta corrente jur\u00eddica na regi\u00e3o. Do mesmo modo, as provas textuais dispon\u00edveis at\u00e9 \u00e0 data n\u00e3o nos permitem aprofundar a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e temporal nem as caracter\u00edsticas da chegada do Isl\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o a partir do s\u00e9culo VI AH. III\/VIII, na altura da entidade (ou entidades) pol\u00edtica(s) conhecida(s) como Gh\u0101na, cuja localiza\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em debate (Gestrich 2019). Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, a partir das fontes \u00e1rabes, conhecer em profundidade como surgiu a tradi\u00e7\u00e3o intelectual do Sahl\u012b M\u0101likismo, possivelmente durante o apogeu do imp\u00e9rio ou sultanato M\u0101l\u012b, ou as circunst\u00e2ncias em que o Ib\u0101\u1e0dismo se desenvolveu na regi\u00e3o (Lewicki 1971, Prevost 2008).<br\/>Este painel levanta uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre os processos de interc\u00e2mbio entre as margens norte e sul do Sara na \u00e9poca medieval, com especial destaque para os grupos humanos envolvidos e as tradi\u00e7\u00f5es religiosas e intelectuais em que se inseriam. O objetivo principal \u00e9 identificar novas estrat\u00e9gias historiogr\u00e1ficas que nos permitam aprofundar o conhecimento da g\u00e9nese da tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica no Sahel central e ocidental, ultrapassando os modelos constru\u00eddos sobre a interpreta\u00e7\u00e3o acr\u00edtica das evid\u00eancias textuais conhecidas e os apriorismos do africanismo colonial franc\u00eas.<br\/>&#8211; Em particular, seguindo os passos de Collet (2022) e Ware (2023) na sua descoberta de fontes desconhecidas para o estudo do Sahel medieval, este painel tem como objetivo rever a literatura biogr\u00e1fica e jur\u00eddica do Maghrebi Ib\u0101\u1e0dism e M\u0101likism em busca de poss\u00edveis vest\u00edgios da presen\u00e7a de estudiosos isl\u00e2micos de origem saheliana no s\u00e9culo VI AH. III\/VIII e XI\/XVII.<br\/>&#8211; Do mesmo modo, e na aus\u00eancia de provas textuais sahelianas anteriores ao s\u00e9c. XV, a tua obra \u00e9 uma obra de arte. XI\/XVII, este painel procura refletir sobre a oralidade como ve\u00edculo de transmiss\u00e3o do conhecimento do Isl\u00e3o e da jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica na \u00c1frica Ocidental, bem como sobre as causas da irrup\u00e7\u00e3o de uma cultura manuscrita muito abundante a partir dessa \u00e9poca.<br\/>&#8211; Para al\u00e9m disso, \u00e9 tamb\u00e9m essencial incorporar a an\u00e1lise das evid\u00eancias materiais e das condi\u00e7\u00f5es climatol\u00f3gicas em que se desenvolveu o povoamento das \u00e1reas saharianas, na linha de Webb (1994), para melhor compreender as implica\u00e7\u00f5es dos diferentes processos de desseca\u00e7\u00e3o e humidifica\u00e7\u00e3o nos per\u00edodos tardo-antigo e medieval nas din\u00e2micas de troca dos grupos humanos que se estabeleceram ou se deslocaram em ambos os lados do Sahara.<br\/>Este painel insere-se no \u00e2mbito das actividades do projeto de I&amp;D &#8220;Tr\u00e2nsitos e migra\u00e7\u00f5es no Norte de \u00c1frica: an\u00e1lise diacr\u00f3nica da popula\u00e7\u00e3o e do seu ambiente (DIANA)&#8221;, projeto que faz parte do projeto coordenado MAGNA II (Coord. M. \u00c1. Manzano) &#8220;Tr\u00e2nsitos e transforma\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o e na popula\u00e7\u00e3o magrebina&#8221;, MICIN\/AEI\/10.13039\/501100011033 e FEDER Uma forma de fazer Europa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este painel levanta uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre os processos de interc\u00e2mbio trans-sahariano na \u00e9poca medieval, com particular interesse nos grupos humanos envolvidos e nas tradi\u00e7\u00f5es religiosas e intelectuais em que estavam inseridos. O objetivo principal \u00e9 identificar novas estrat\u00e9gias historiogr\u00e1ficas para aprofundar o nosso conhecimento da g\u00e9nese da tradi\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica no Sahel central e ocidental, ultrapassando os modelos constru\u00eddos sobre a interpreta\u00e7\u00e3o acr\u00edtica das provas textuais conhecidas e os apriorismos do africanismo colonial franc\u00eas. Especificamente, este painel tem como objetivo rever a literatura biogr\u00e1fica e jur\u00eddica magrebina em busca de vest\u00edgios da presen\u00e7a no Norte de \u00c1frica de acad\u00e9micos mu\u00e7ulmanos de origem saheliana entre os s\u00e9culos XV e XX. III\/VIII e XI\/XVII. Do mesmo modo, e na aus\u00eancia de provas textuais sahelianas anteriores ao s\u00e9c. XV, a tua obra \u00e9 uma obra de arte. XI\/XVII, este painel procura refletir sobre a oralidade como ve\u00edculo de transmiss\u00e3o do conhecimento do Isl\u00e3o e da jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica na \u00c1frica Ocidental, bem como sobre as causas da irrup\u00e7\u00e3o de uma cultura manuscrita muito abundante a partir dessa \u00e9poca. Para al\u00e9m disso, o painel prop\u00f5e-se analisar os testemunhos materiais e as condi\u00e7\u00f5es climatol\u00f3gicas em que se desenvolveu o povoamento das zonas saharianas, com o objetivo de compreender melhor as implica\u00e7\u00f5es dos diferentes processos de desseca\u00e7\u00e3o e de humidifica\u00e7\u00e3o nos per\u00edodos tardo-antigo e medieval sobre as din\u00e2micas de interc\u00e2mbio dos grupos humanos que se instalaram ou se deslocaram de ambos os lados do Sara.<\/p>\n","protected":false},"author":96,"featured_media":2676,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3532","panel","type-panel","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3532","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/96"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3532\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5592,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3532\/revisions\/5592"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}