{"id":3596,"date":"2024-06-12T19:55:04","date_gmt":"2024-06-12T17:55:04","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/conhecimento-local-desenvolvimento-sustentavel-e-descolonialismo-perspectivas-e-equilibrios-africanos-saude-governacao-equidade-de-genero\/"},"modified":"2024-08-09T18:59:58","modified_gmt":"2024-08-09T16:59:58","slug":"conhecimento-local-desenvolvimento-sustentavel-e-descolonialismo-perspectivas-e-equilibrios-africanos-saude-governacao-equidade-de-genero","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/conhecimento-local-desenvolvimento-sustentavel-e-descolonialismo-perspectivas-e-equilibrios-africanos-saude-governacao-equidade-de-genero\/","title":{"rendered":"50: Conhecimento local, desenvolvimento sustent\u00e1vel e descolonialismo. Perspectivas e equil\u00edbrios africanos: sa\u00fade, governa\u00e7\u00e3o, equidade de g\u00e9nero&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p>O conhecimento local tornou-se um fator comum nos discursos e pol\u00edticas de desenvolvimento desde a d\u00e9cada de 1990. Utilizando diferentes denomina\u00e7\u00f5es (saberes ind\u00edgenas, tradi\u00e7\u00e3o, etnodesenvolvimento, ou mesmo capital social), as ag\u00eancias internacionais (do BM \u00e0 UNESCO ou \u00e0 OMS) invocaram factores culturais at\u00e9 ent\u00e3o ignorados ou rejeitados. Ao mesmo tempo, estes saberes t\u00eam sido levantados como uma componente fundamental da mensagem decolonial* (epistemologias do sul, ontological turn&#8230;) que est\u00e1 a abalar a linguagem global durante o s\u00e9culo XXI. \u00c9 talvez na \u00c1frica Subsariana que se depositam as maiores esperan\u00e7as de ativa\u00e7\u00e3o desses conhecimentos e \u00e9 tamb\u00e9m onde a converg\u00eancia dos dois cen\u00e1rios se revela mais paradoxal.<\/p>\n\n<p>O painel visa precisamente contribuir para fazer o ponto da situa\u00e7\u00e3o da conflu\u00eancia destes cen\u00e1rios em \u00c1frica. E prop\u00f5e-se a faz\u00ea-lo, olhando para o futuro atrav\u00e9s de estudos contrastados sobre casos concretos: multissectoriais (sa\u00fade, governa\u00e7\u00e3o, igualdade de g\u00e9nero, ecologia e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, economia popular&#8230;) e multidisciplinares (abertos a todas as ci\u00eancias, embora a antropologia seja a que pode ser mais imediatamente aludida). OBJECTIVO: gerar sinergias e pistas para novos roteiros sobre o papel futuro do conhecimento local em \u00c1frica, assumindo a multidimensionalidade do conceito.<\/p>\n\n<p>Apesar da visibilidade das tend\u00eancias acima mencionadas, em particular da segunda, a implementa\u00e7\u00e3o de programas, projectos e iniciativas que mobilizem este conhecimento local \u00e9 muito limitada, se n\u00e3o mesmo m\u00ednima, em todos os investimentos e pol\u00edticas que visam a produ\u00e7\u00e3o de riqueza e o bem-estar das popula\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, os estudos sugerem que, a n\u00edvel informal, a sua validade \u00e9 muito not\u00e1vel e envolve a maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A principal raz\u00e3o para esta aparente contradi\u00e7\u00e3o parece residir no facto de estes discursos n\u00e3o serem emitidos nem projectados em ac\u00e7\u00f5es institucionalmente aprovadas pelas comunidades que, em princ\u00edpio, deram origem ao conhecimento a que se referem. Por outras palavras, ou os projectos e programas n\u00e3o reconheceram a autonomia (jur\u00eddica, econ\u00f3mica, pol\u00edtica) dos sujeitos colectivos de direito envolvidos &#8211; reconhecidos local e tradicionalmente, mas n\u00e3o juridicamente, em regra &#8211; &#8220;tradicionais&#8221;), ou os discursos s\u00e3o emitidos por pessoas e em esferas exteriores a esses colectivos, nomeadamente em contextos de di\u00e1spora antiga ou &#8220;desconectada&#8221;. Em ambas as situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 h\u00e1 falta de &#8220;ventriloquismo&#8221; leg\u00edtimo, como, sobretudo, \u00e9 dif\u00edcil avaliar a efic\u00e1cia e a efici\u00eancia dos conhecimentos em causa. Isto tendeu a repudiar &#8220;informalmente&#8221; as iniciativas de desenvolvimento baseadas no conhecimento local, apesar da multiplica\u00e7\u00e3o de reivindica\u00e7\u00f5es de identidade descolonial no quadro global, gerando um verdadeiro ciclo de opacidade cient\u00edfica. A pandemia de COVID-19 dramatiza e acentua esta contradi\u00e7\u00e3o, apesar de ter sido uma excelente oportunidade para testar as potencialidades do conhecimento local em muitas facetas da atividade que interagem na sa\u00fade, e apesar das reivindica\u00e7\u00f5es africanas nesse sentido.<\/p>\n\n<p>Este ventriloquismo \u00e9 particularmente grave porque o conhecimento local n\u00e3o pode ser capturado, &#8220;objetivado&#8221;, em discursos formais e un\u00edvocos, em f\u00f3rmulas. Trata-se, em grande medida, de um conhecimento &#8220;incorporado&#8221;, relacional e performativo, em que redes de actores hier\u00e1rquicos actualizam, negoceiam e operacionalizam o conhecimento. \u00c9 por isso que o ensaio de casos concretos \u00e9 o primeiro passo para ultrapassar este impasse. Este contraste facilitar\u00e1 igualmente a abordagem da pertin\u00eancia e da adaptabilidade dos conhecimentos locais no seu contexto atual, o do desenvolvimento da sociedade da informa\u00e7\u00e3o em \u00c1frica, com a r\u00e1pida implementa\u00e7\u00e3o das NTIC e da IA. Minimizar, portanto, as idealiza\u00e7\u00f5es facciosas desse conhecimento (a favor ou contra)<\/p>\n\n<p>Por conseguinte, convidamos a contribui\u00e7\u00f5es resultantes de uma autorreflex\u00e3o cr\u00edtica de estudos de caso relacionados com o conhecimento local no desenvolvimento, de todos os dom\u00ednios da sociedade humana, mesmo que a equipa que prop\u00f5e o painel (SACUDA, Sa\u00fade, Culturas e Desenvolvimento em \u00c1frica) tenha trabalhado principalmente nos dom\u00ednios da sa\u00fade, da governa\u00e7\u00e3o e do g\u00e9nero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O painel prop\u00f5e-se fazer um balan\u00e7o da conflu\u00eancia entre a utiliza\u00e7\u00e3o dos saberes locais nas pol\u00edticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel em \u00c1frica &#8211; muito escassos apesar das declara\u00e7\u00f5es institucionais &#8211; por um lado, e a utiliza\u00e7\u00e3o desses saberes locais no movimento descolonial &#8211; muito vis\u00edvel &#8211; por outro. E prop\u00f5e-se a faz\u00ea-lo, olhando para o futuro atrav\u00e9s de estudos contrastados sobre casos concretos: multissectoriais (sa\u00fade, governa\u00e7\u00e3o, igualdade de g\u00e9nero, ecologia e altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, economia popular&#8230;) e multidisciplinares (abertos a todas as ci\u00eancias, embora a antropologia seja a que pode ser mais imediatamente aludida). 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