{"id":3608,"date":"2024-06-12T20:09:02","date_gmt":"2024-06-12T18:09:02","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/a-violencia-em-africa-do-sistema-colonial-ao-mundo-pos-colonial\/"},"modified":"2024-08-09T16:12:33","modified_gmt":"2024-08-09T14:12:33","slug":"a-violencia-em-africa-do-sistema-colonial-ao-mundo-pos-colonial","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/a-violencia-em-africa-do-sistema-colonial-ao-mundo-pos-colonial\/","title":{"rendered":"32. A viol\u00eancia em \u00c1frica: do sistema colonial ao mundo p\u00f3s-colonial."},"content":{"rendered":"\n<p>A viol\u00eancia era um elemento estruturante dos sistemas coloniais. Para subjugar os africanos, os Estados coloniais tiveram de recorrer \u00e0 viol\u00eancia, embora a combinassem com outras estrat\u00e9gias para controlar as popula\u00e7\u00f5es colonizadas. No mundo p\u00f3s-colonial, a viol\u00eancia invadiu de novo o continente africano, com guerras, movimentos insurreccionais, revoltas, ditaduras&#8230; As quest\u00f5es a debater nesta mesa redonda s\u00e3o: qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre viol\u00eancia colonial e p\u00f3s-colonial? S\u00e3o viol\u00eancias de signos opostos ou h\u00e1 continuidades? A viol\u00eancia p\u00f3s-colonial \u00e9 uma resposta \u00e0 viol\u00eancia colonial? Ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar uma liga\u00e7\u00e3o entre estas viol\u00eancias e a viol\u00eancia pr\u00e9-colonial?<br\/>Na altura da independ\u00eancia, o elevado n\u00edvel de viol\u00eancia foi uma surpresa para os analistas e a viol\u00eancia colonial tendeu a ser vista como um mero subproduto dos problemas coloniais. Argumentava-se que os conflitos \u00e9tnicos, regionais, religiosos, de identidade ou de classe respondiam a l\u00f3gicas desenvolvidas durante o colonialismo que sobreviveriam brevemente \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o. A &#8220;viol\u00eancia estrutural&#8221; foi amplamente considerada como tendo sobrevivido \u00e0 descoloniza\u00e7\u00e3o do continente africano. Para alguns autores, mesmo a explos\u00e3o de viol\u00eancia vivida no continente foi apenas uma fase de adapta\u00e7\u00e3o ao novo estatuto, que duraria um per\u00edodo transit\u00f3rio. <br\/>Em todo o caso, foram formuladas interpreta\u00e7\u00f5es muito diferentes.\n<br\/>Lange e Dawson, por exemplo, recorrendo a um vasto quadro estat\u00edstico, salientaram que n\u00e3o existia uma correla\u00e7\u00e3o significativa entre a viol\u00eancia colonial e a exist\u00eancia de conflitos p\u00f3s-coloniais. Mahmood Mamdani abordou a mesma quest\u00e3o de uma outra perspetiva.\nLonge de considerar que todos os fen\u00f3menos violentos p\u00f3s-coloniais derivavam diretamente dos fen\u00f3menos coloniais, analisou os conflitos identit\u00e1rios que surgiram ap\u00f3s a independ\u00eancia, concluindo que as l\u00f3gicas de atribui\u00e7\u00e3o eram radicalmente diferentes nos dois per\u00edodos, mostrando que os Estados-na\u00e7\u00e3o africanos n\u00e3o surgiram com a coloniza\u00e7\u00e3o, mas com a independ\u00eancia.<br\/>Charles Tilly, por seu lado, d\u00e1 menos import\u00e2ncia \u00e0 viol\u00eancia do Estado, mas sublinha o papel desempenhado nos conflitos africanos pelas for\u00e7as n\u00e3o estatais, que desenvolveram a repress\u00e3o a n\u00edveis brutais.\n<br\/>Tilly considera que a exist\u00eancia de organiza\u00e7\u00f5es especializadas na repress\u00e3o brutal tem consequ\u00eancias directas no n\u00edvel de viol\u00eancia, desde que n\u00e3o existam mecanismos de controlo social que afectem essas organiza\u00e7\u00f5es. Este painel ir\u00e1 refletir sobre esta quest\u00e3o, especialmente a partir do caso do colonialismo espanhol em \u00c1frica.    Tentar-se-\u00e1 analisar se a viol\u00eancia do regime de Mac\u00edas na Guin\u00e9 Equatorial (1968-1979) foi uma continua\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia colonial de Franco ou se foi um tipo de viol\u00eancia radicalmente diferente. Al\u00e9m disso, tentar\u00e1 perceber at\u00e9 que ponto certos procedimentos foram uma r\u00e9plica da viol\u00eancia colonial, que apenas afectou os privilegiados do colonialismo, ou se as principais v\u00edtimas do colonialismo foram tamb\u00e9m v\u00edtimas do macismo. Ser\u00e3o tidas em conta as reflex\u00f5es sobre a viol\u00eancia colonial apresentadas no contexto guineense-equatoriano por Celeste Mu\u00f1oz e Gustau Ner\u00edn, e no contexto p\u00f3s-colonial por Max Liniger-Goumaz. Ser\u00e3o tidos em conta os trabalhos de Josep Llu\u00eds Mateo Dieste e Jos\u00e9 Luis Vilanova sobre o caso marroquino. <br\/>Mas a reflex\u00e3o colonial e p\u00f3s-colonial no caso equatoguineense e no contexto espanhol deve ser comparada com outros processos que se desenvolveram noutras partes do continente: Uganda, Angola&#8230; O objetivo \u00e9 uma reflex\u00e3o que ultrapasse o quadro hisp\u00e2nico e sirva para analisar diferentes tipos de colonialismo em diferentes contextos africanos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este painel procurar\u00e1 explorar as continuidades e rupturas entre a viol\u00eancia colonial e p\u00f3s-colonial. Explorar\u00e1 os motivos da viol\u00eancia, os autores, as v\u00edtimas e os m\u00e9todos de repress\u00e3o, para descobrir os fios que ligam os dois fen\u00f3menos e para discernir em que medida um deriva do outro (ou se, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o formas de viol\u00eancia opostas e n\u00e3o relacionadas).<\/p>\n","protected":false},"author":80,"featured_media":0,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3608","panel","type-panel","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/80"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3608\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5639,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3608\/revisions\/5639"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}