{"id":3630,"date":"2024-06-12T20:10:34","date_gmt":"2024-06-12T18:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/literaturas-afro-descendentes-e-afro-migratorias-na-peninsula-iberica\/"},"modified":"2024-08-09T16:06:31","modified_gmt":"2024-08-09T14:06:31","slug":"literaturas-afro-descendentes-e-afro-migratorias-na-peninsula-iberica","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/literaturas-afro-descendentes-e-afro-migratorias-na-peninsula-iberica\/","title":{"rendered":"30. Literaturas afro-descendentes e afro-migrat\u00f3rias na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este painel prop\u00f5e uma explora\u00e7\u00e3o dos imagin\u00e1rios africanos e afro-descendentes na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica nos s\u00e9culos XX e XXI, expressos na literatura e noutras artes (cinema, m\u00fasica, dan\u00e7a, artes pl\u00e1sticas, fotografia, etc.) nas l\u00ednguas de ambos os pa\u00edses. Exploraremos as obras de escritores e artistas que trabalham a partir da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e que se situam conscientemente neste lugar como ponto de partida ou de chegada, tendo como pano de fundo a sua rela\u00e7\u00e3o com \u00c1frica. Tanto em Espanha como em Portugal, podem distinguir-se diferentes grupos de escritores e artistas com estas caracter\u00edsticas: ou s\u00e3o pessoas em situa\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o permanente (ou tempor\u00e1ria), ou s\u00e3o pessoas nascidas na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, de ascend\u00eancia africana, muitas vezes com liga\u00e7\u00f5es a zonas de l\u00edngua espanhola (Guin\u00e9 Equatorial) e portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guin\u00e9-Bissau, Mo\u00e7ambique e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe), mas tamb\u00e9m a outros territ\u00f3rios e l\u00ednguas do continente africano.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perguntamos a n\u00f3s pr\u00f3prios: qual \u00e9 o lugar de perten\u00e7a, a p\u00e1tria imaginada destes escritores e artistas? Em Espanha, a jornalista Luc\u00eda Mbom\u00edo explicou na sua coluna inaugural &#8220;Barrionalismos&#8221; no El Pa\u00eds que \u00e9 Alcorc\u00f3n, o seu bairro em Madrid, o \u00fanico lugar onde se sentiu &#8220;em casa&#8221; e onde \u00e9 reconhecida como &#8220;dona&#8221; do bairro face \u00e0 insistente nega\u00e7\u00e3o da sua identidade espanhola devido ao seu perfil racial (Mbom\u00edo Rubio 2018). A mesma opini\u00e3o foi manifestada pelos jovens &#8220;cabobercianos&#8221;, que responderam sem hesitar que &#8220;de Bembibre&#8221;, uma localidade de Bierzo, era o lugar que os identificava como filhos dos cabo-verdianos que foram trabalhar nas minas de Le\u00e3o (Cebrones 2018). Em Portugal, a escritora de ascend\u00eancia luso-angolana Yara Nakahanda Monteiro afirma &#8220;eu sou de onde estou&#8221;, demonstrando uma flexibilidade e adaptabilidade \u00e0s circunst\u00e2ncias da vida (entrevista Wieser 2021 e 2024). Outros inscrevem-se em espa\u00e7os mais et\u00e9reos, dif\u00edceis de reduzir a um territ\u00f3rio, como a negritude e o hip-hop (Frank T, entrevista de Mbom\u00edo Rubio 2017) ou outros estilos musicais como o kuduro e a kizomba (Kalaf Epalanga, entrevista de Wieser 2021). Um bairro, uma aldeia ou uma comunidade imaginada.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todos os casos, s\u00e3o espa\u00e7os definidos pela sua rela\u00e7\u00e3o com \u00c1frica, e essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 permeada por uma variedade de sentimentos diferentes, desde a nostalgia, a dor e o luto, at\u00e9 \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o, ao orgulho e \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o. Assim, perguntamo-nos tamb\u00e9m: qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre os criadores africanos e afrodescendentes que vivem na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e em \u00c1frica? Atrav\u00e9s de que vest\u00edgios, mem\u00f3rias, hist\u00f3rias orais, can\u00e7\u00f5es ou ritmos \u00e9 que a ideia de \u00c1frica regressa ao presente? Neste painel, gostar\u00edamos de estabelecer um di\u00e1logo entre a produ\u00e7\u00e3o africana de l\u00edngua portuguesa e espanhola, reflectindo sobre produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e art\u00edsticas que exploram a constru\u00e7\u00e3o de lugares de perten\u00e7a nas suas din\u00e2micas entre hist\u00f3ria, mem\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o. Neste sentido, s\u00e3o tamb\u00e9m bem-vindas propostas que discutam a relev\u00e2ncia da utiliza\u00e7\u00e3o de termos como afrodescend\u00eancia, di\u00e1spora, migra\u00e7\u00e3o e ex\u00edlio.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto em Portugal o estudo das literaturas africanas de l\u00edngua portuguesa foi institucionalizado em 1975, na sequ\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, e tem, portanto, uma tradi\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica bastante consolidada, com especialistas de renome, o campo de estudo das literaturas africanas em Espanha \u00e9 mais recente. No entanto, a literatura de origem africana e a literatura de africanos imigrantes \u00e9 um fen\u00f3meno recente em toda a pen\u00ednsula. Estudos pioneiros sobre estas cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e art\u00edsticas t\u00eam sido publicados nos \u00faltimos anos, tanto em Portugal (Mata e \u00c9vora 2021, Wieser 2021 e 2024, Khan e Sousa 2023) como em Espanha (Miampika e Arroyo 2010; Miampika 2015; Angone 2018; Garc\u00eda 2018; Ab\u00e9 Pans 2019; Borst 2021; Bernechea 2022; Borst e Gallo Gonz\u00e1lez 2024) e tamb\u00e9m \u00e0 escala europeia que por vezes incluiu estes dois espa\u00e7os (Brancato 2008; Borst e Gallo Gonz\u00e1lez 2019; Fraticelli e L\u00f3pez Vilar 2022; Ricci 2023; Borst, Neu-Wendel, e Tauchnitz 2023). Com esta abordagem, esperamos dar um contributo valioso para o alargamento e o aprofundamento desta \u00e1rea interdisciplinar do conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este painel prop\u00f5e uma explora\u00e7\u00e3o das liga\u00e7\u00f5es e imagin\u00e1rios relacionados com o continente africano nos s\u00e9culos XX e XXI por parte de afrodescendentes e africanos da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. No caso da literatura e de outras artes, as elabora\u00e7\u00f5es em torno da hist\u00f3ria, da mem\u00f3ria e da imagina\u00e7\u00e3o s\u00e3o cruciais. Com esta proposta, convidamos a uma reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre os termos em circula\u00e7\u00e3o, a estudos de caso na esfera portuguesa ou espanhola, bem como a perspectivas comparativas na literatura e nas artes.<\/p>\n","protected":false},"author":37,"featured_media":0,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3630","panel","type-panel","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3630","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/37"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3630\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5615,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3630\/revisions\/5615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3630"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3630"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}