{"id":3632,"date":"2024-06-12T20:26:53","date_gmt":"2024-06-12T18:26:53","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/mobilidade-transfronteirica-de-grupos-jihadistas-e-reconfiguracao-territorial-no-sahel\/"},"modified":"2024-08-09T11:25:25","modified_gmt":"2024-08-09T09:25:25","slug":"mobilidade-transfronteirica-de-grupos-jihadistas-e-reconfiguracao-territorial-no-sahel","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/mobilidade-transfronteirica-de-grupos-jihadistas-e-reconfiguracao-territorial-no-sahel\/","title":{"rendered":"12. Mobilidade transfronteiri\u00e7a dos grupos jihadistas e reconfigura\u00e7\u00e3o territorial no Sahel."},"content":{"rendered":"<p>DELIMITA\u00c7\u00c3O: Tal como a ci\u00eancia pol\u00edtica, este painel interessa a todas as outras ci\u00eancias sociais.<br \/>\nCentrar-se-\u00e1 no movimento de grupos terroristas, de bandidos armados, de grup\u00fasculos muitas vezes de car\u00e1cter estatal e dos ex\u00e9rcitos dos pa\u00edses da ESA na luta contra o terrorismo.<br \/>\nEste artigo prop\u00f5e-se apreender as din\u00e2micas territoriais em curso no Sahel e a sua articula\u00e7\u00e3o com a mobilidade transfronteiri\u00e7a dos grupos jihadistas.<br \/>\nDestaca igualmente as diferentes caracter\u00edsticas da mobilidade no Sahel, que enfrenta grandes dificuldades.<br \/>\nSer\u00e1 utilizada uma abordagem qualitativa para compreender melhor os desafios da mobilidade transfronteiri\u00e7a no Sahel.<br \/>\nEstado do conhecimento: Atualmente, a mobilidade transfronteiri\u00e7a entre os Estados do Sahel enfrenta grandes dificuldades.<br \/>\nOs cidad\u00e3os sahelianos t\u00eam dificuldade em sair de um extremo do Sahel para outro por raz\u00f5es de inseguran\u00e7a.<br \/>\nApesar dos esfor\u00e7os dos governos para combater a inseguran\u00e7a, o banditismo, os atentados e a criminalidade transfronteiri\u00e7a fazem agora parte do quotidiano de certas camadas da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o t\u00eam actividades para se sustentar.<br \/>\nPara al\u00e9m deste aspeto, a vastid\u00e3o dos territ\u00f3rios dos Estados faz com que estas actividades sejam menos controladas e que as fronteiras sejam um terreno f\u00e9rtil para todo o tipo de actividades criminosas.<br \/>\nA interven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios actores nacionais e internacionais n\u00e3o foi capaz de p\u00f4r termo a estes flagelos.<br \/>\nPor conseguinte, as comunidades est\u00e3o a fechar-se em si pr\u00f3prias como fonte de prote\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim, as pessoas t\u00eam cada vez mais dificuldade em circular na regi\u00e3o com as suas identidades e bens.<br \/>\nA redu\u00e7\u00e3o da mobilidade transfronteiri\u00e7a criou liga\u00e7\u00f5es ilegais com ra\u00edzes locais, permitindo que grupos armados n\u00e3o estatais assumam o controlo de zonas fronteiri\u00e7as n\u00e3o controladas pelo Estado.<br \/>\nEsta ideia d\u00e1 cr\u00e9dito \u00e0 situa\u00e7\u00e3o no Sahel, onde a mobilidade assume muitas formas.<br \/>\nPara alguns, assume a forma de actividades econ\u00f3micas, enquanto outros a v\u00eaem como experi\u00eancias e aventuras.<br \/>\nEm 1927, o investigador russo-americano Pitirim Alexandrovitch Sorokin publicou nos Estados Unidos uma obra intitulada &#8220;Social Mobility&#8221; (Mobilidade Social), que conceptualiza a mobilidade sob dois pontos de vista.<br \/>\nTemos a &#8220;mobilidade vertical&#8221;, que \u00e9 uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o na escala social, que pode ser ascendente ou descendente.<br \/>\nA &#8220;mobilidade horizontal&#8221;, que se refere a uma mudan\u00e7a de estatuto ou de categoria social que n\u00e3o implica qualquer mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o relativa na escala social (por exemplo, uma mudan\u00e7a na estrutura familiar devido a um div\u00f3rcio ou casamento, uma mudan\u00e7a na perten\u00e7a a um grupo religioso ou pol\u00edtico, ou uma mudan\u00e7a de emprego com o mesmo n\u00edvel de qualifica\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o).<br \/>\n\u00c0 primeira vista, a mobilidade transfronteiri\u00e7a significa qualquer movimento ou desloca\u00e7\u00e3o de pessoas de um Estado para outro por motivos econ\u00f3micos, sociais ou culturais.<br \/>\nParalelamente, temos outra forma de mobilidade transfronteiri\u00e7a, o movimento de grupos armados n\u00e3o estatais entre os diferentes pa\u00edses do Sahel, com uma agenda bem estabelecida para a sua implementa\u00e7\u00e3o (criminalidade transfronteiri\u00e7a, banditismo, etc.).                    Quanto \u00e0 governa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a, trata-se de um sistema em que a tranquilidade p\u00fablica \u00e9 controlada pelo Estado e ningu\u00e9m est\u00e1 exposto a amea\u00e7as.<br \/>\nEsta forma de governa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a engloba uma variedade de formas de seguran\u00e7a, incluindo a seguran\u00e7a individual, social, alimentar, pol\u00edtica, econ\u00f3mica, jur\u00eddica, judici\u00e1ria e financeira.<br \/>\nCom base nestas ideias, as fronteiras, enquanto realidade social, econ\u00f3mica, cultural e pol\u00edtica, afirmam uma verdadeira elimina\u00e7\u00e3o das barreiras que permitem o desenvolvimento comunit\u00e1rio entre as aldeias fronteiri\u00e7as por raz\u00f5es hist\u00f3ricas.<br \/>\nOs Estados do Sahel devem reconfigurar os seus territ\u00f3rios para responder ao desafio da mobilidade e da circula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA liga\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica transfronteiri\u00e7a dissipar\u00e1 a soberania dos Estados do Sahel e refor\u00e7ar\u00e1 a luta permanente contra a inseguran\u00e7a e o hibridismo cultural entre as na\u00e7\u00f5es dos diferentes Estados.<br \/>\nA tomada em considera\u00e7\u00e3o do local ser\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento da economia de proximidade entre pa\u00edses fronteiri\u00e7os.<br \/>\nA hip\u00f3tese de investiga\u00e7\u00e3o parte do princ\u00edpio que a reconfigura\u00e7\u00e3o territorial facilita a apropria\u00e7\u00e3o dos paradoxos identit\u00e1rios e facilita a livre circula\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os.<br \/>\nA governa\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a \u00e9 uma alternativa para a paz e a seguran\u00e7a.       <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 v\u00e1rias d\u00e9cadas que a regi\u00e3o do Sahel se v\u00ea confrontada com v\u00e1rios tipos de amea\u00e7as, como rebeli\u00f5es, tomadas de ref\u00e9ns e ataques terroristas.<br \/>\nNa origem, s\u00e3o apontadas v\u00e1rias raz\u00f5es para explicar este fen\u00f3meno: o irredentismo tuaregue, a fragilidade dos Estados e as fronteiras porou\u015b.<br \/>\nEste contexto de fragilidade que afecta os Estados do Sahel levou ao aparecimento de grupos terroristas transfronteiri\u00e7os.<br \/>\nParece \u00f3bvio que a mobilidade implica um movimento de popula\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de grupos jihadistas, grupos de auto-defesa e outros grupos paramilitares n\u00e3o regionais.<br \/>\nA reconfigura\u00e7\u00e3o territorial resultante da Nova Alian\u00e7a dos Estados do Sahel (NAS) levanta, portanto, quest\u00f5es sobre a mobilidade dos grupos terroristas transfronteiri\u00e7os neste novo espa\u00e7o geopol\u00edtico.<br \/>\nComo \u00e9 que os grupos terroristas se est\u00e3o a adaptar a esta reconfigura\u00e7\u00e3o?<br \/>\nPoder\u00e1 a nova alian\u00e7a geopol\u00edtica ser uma resposta \u00e0 inseguran\u00e7a ligada \u00e0 mobilidade transfronteiri\u00e7a no Sahel?      <\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":2616,"template":"","congreso":[92],"class_list":["post-3632","panel","type-panel","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","congreso-ciea12-pt-pt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3632\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5344,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3632\/revisions\/5344"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}