{"id":3705,"date":"2024-06-12T20:23:23","date_gmt":"2024-06-12T18:23:23","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/cooperacao-norte-sul-para-o-desenvolvimento-universitario-rumo-a-parcerias-academicas-mais-equitativas\/"},"modified":"2024-08-09T13:12:53","modified_gmt":"2024-08-09T11:12:53","slug":"cooperacao-norte-sul-para-o-desenvolvimento-universitario-rumo-a-parcerias-academicas-mais-equitativas","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/cooperacao-norte-sul-para-o-desenvolvimento-universitario-rumo-a-parcerias-academicas-mais-equitativas\/","title":{"rendered":"15. Coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul para o Desenvolvimento Universit\u00e1rio: Rumo a parcerias acad\u00e9micas mais equitativas"},"content":{"rendered":"<p>Um dos desafios das rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul diz respeito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00f5es significativas e mais equitativas em contextos de fortes disparidades de poder. Ap\u00f3s o fim do colonialismo em meados do s\u00e9culo XX, a ajuda internacional ao desenvolvimento estabeleceu-se como uma pedra angular dos termos assim\u00e9tricos de compromisso entre o chamado Norte Global e o Sul Global. Setenta anos mais tarde, as agendas e as \u00e1reas tem\u00e1ticas, as estruturas de financiamento e a conce\u00e7\u00e3o dos projectos continuam a ser maioritariamente centradas nos doadores, seguindo os interesses das institui\u00e7\u00f5es do Norte em vez das prioridades do Sul e conduzindo frequentemente a interven\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se alinham com as necessidades e prefer\u00eancias sempre contextuais das comunidades-alvo (Banks et al. 2024; Groves e Hinton 2004). Essas hierarquias e desequil\u00edbrios de poder t\u00eam sido objeto de um escrut\u00ednio crescente no s\u00e9culo XXI, resultando em apelos para repensar a coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul, quer seja enquadrada como &#8220;desenvolvimento&#8221; ou n\u00e3o (Baud et al. 2019; Melber et al. 2024). Em circunst\u00e2ncias geopol\u00edticas em muta\u00e7\u00e3o, e reflectindo a necessidade de enfrentar desafios complexos de desenvolvimento global, as ideias de &#8220;parceria&#8221; e &#8220;benef\u00edcio m\u00fatuo&#8221; tornaram-se centrais para as iniciativas de reforma que abordam a coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul, desde o F\u00f3rum de Alto N\u00edvel de Busan de 2011 sobre a Efic\u00e1cia da Ajuda at\u00e9 ao Objetivo 17 da Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas (&#8220;Parceria para os Objectivos&#8221;). Esta din\u00e2mica \u00e9 evidente na coopera\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria entre as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Norte e do Sul. Em muitos contextos africanos, as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior modernas foram inicialmente concebidas e moldadas pelas administra\u00e7\u00f5es coloniais e foram posteriormente consolidadas atrav\u00e9s de financiamento externo proveniente de v\u00e1rias fontes ligadas \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento: doadores e funda\u00e7\u00f5es bilaterais ocidentais, pa\u00edses do Bloco de Leste, institui\u00e7\u00f5es multilaterais e, mais recentemente, coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul (Teferra 2014; Arocena et al. 2015). Atualmente, a estrutura dominante dos regimes de financiamento origin\u00e1rios do Norte tende a colocar os parceiros do Sul numa posi\u00e7\u00e3o subsidi\u00e1ria, com os investigadores do Norte a serem os decisores dominantes e os do Sul reduzidos \u00e0 recolha de dados no terreno (Carbonnier e Kontinen 2014; Molosi-Francea e Makoni 2020). Este facto foi reconhecido por um relat\u00f3rio recente da UNESCO sobre a ajuda internacional ao ensino superior, que sugeriu que os espa\u00e7os acad\u00e9micos podem e devem ser mobilizados para mudar a nossa &#8220;abordagem e mentalidade em torno do significado de verdadeiras [North-South] parcerias&#8221; (Gal\u00e1n-Muros et al. 2022, p. 54). Na Uni\u00e3o Europeia (UE), a coopera\u00e7\u00e3o internacional no dom\u00ednio do ensino superior \u00e9 uma prioridade, respondendo aos objectivos de promo\u00e7\u00e3o da excel\u00eancia do ensino e de resposta \u00e0s mudan\u00e7as globais. Embora a coopera\u00e7\u00e3o educativa entre os Estados-Membros europeus tenha uma longa hist\u00f3ria, a expans\u00e3o da sua dimens\u00e3o internacional \u00e9 cada vez mais priorit\u00e1ria nos fluxos de financiamento da educa\u00e7\u00e3o da UE (AEA 2024). Do mesmo modo, os pa\u00edses europeus e as suas ag\u00eancias de desenvolvimento t\u00eam vindo a salientar a import\u00e2ncia das colabora\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas como parte da sua pol\u00edtica externa e das suas estrat\u00e9gias de desenvolvimento. Tanto em Portugal como em Espanha, as universidades s\u00e3o reconhecidas como actores-chave na coopera\u00e7\u00e3o internacional, como se pode observar na nova Estrat\u00e9gia Portuguesa de Coopera\u00e7\u00e3o para o Desenvolvimento (ECP 2030), que destaca o papel das institui\u00e7\u00f5es de ensino superior e das parcerias na consecu\u00e7\u00e3o dos seus objectivos centrados no desenvolvimento humano, e como assinala o Observat\u00f3rio Espanhol de Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria para o Desenvolvimento, lan\u00e7ado em 2008 com o apoio da ag\u00eancia espanhola de desenvolvimento internacional. Por \u00faltimo, a coopera\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria para o desenvolvimento est\u00e1 tamb\u00e9m relacionada com o compromisso da Uni\u00e3o Africana, expresso na sua Agenda estrat\u00e9gica 2063, de desenvolver uma sociedade africana do conhecimento baseada na investiga\u00e7\u00e3o e na inova\u00e7\u00e3o, com v\u00e1rios ODS (ODS 4, ODS 9.5, ODS 17) e com a declara\u00e7\u00e3o conjunta das universidades africanas e europeias sobre o papel do ensino superior e das parcerias universit\u00e1rias na coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento (AAU e EUA 2010; ARUA-The Guild 2020). E, no entanto, a coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento facilitada pela universidade \u00e9 pouco explorada como modalidade de ajuda ou como objeto de investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica (Arocena at al. 2015; Galan-Muros et al. 2022), estando atualmente fragmentada ao ponto de haver pouco acordo quanto \u00e0 escolha do termo para descrever este tipo de actividades (Pollet e Huyse 2019, p.16). Partindo das recomenda\u00e7\u00f5es acima mencionadas para a constru\u00e7\u00e3o de parcerias Norte-Sul mais equitativas e diferentes da l\u00f3gica desenvolvimentista do Norte operando sobre o Sul, bem como com base na pesquisa cr\u00edtica de desenvolvimento e na cr\u00edtica dos estudos p\u00f3s-coloniais aos sistemas de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento (Ndlovu-Gatsheni, 2017), o painel proposto explorar\u00e1 as li\u00e7\u00f5es aprendidas, os desafios e os caminhos para melhorar a Coopera\u00e7\u00e3o Internacional para o Desenvolvimento facilitada pela universidade Norte-Sul. Argumentamos que tais colabora\u00e7\u00f5es t\u00eam o potencial n\u00e3o s\u00f3 de promover importantes objectivos de desenvolvimento, tanto diretamente como atrav\u00e9s de efeitos em cascata, mas tamb\u00e9m de fazer avan\u00e7ar a ci\u00eancia, expondo preconceitos epistemol\u00f3gicos e enriquecendo as perspectivas acad\u00e9micas sobre o pr\u00f3prio &#8220;desenvolvimento&#8221;. O painel centrar-se-\u00e1 principalmente nas rela\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias euro-africanas. Ser\u00e3o bem-vindas li\u00e7\u00f5es de estudos de caso, bem como apresenta\u00e7\u00f5es conceptuais que abordem os meandros e as complexidades dos envolvimentos Norte-Sul, tanto a curto como a longo prazo, provenientes de todas as ci\u00eancias sociais e de acad\u00e9micos envolvidos em investiga\u00e7\u00e3o aplicada (por exemplo, relacionada com a sa\u00fade ou a agricultura). Os apresentadores partilhar\u00e3o experi\u00eancias de iniciativas de colabora\u00e7\u00e3o, tais como colabora\u00e7\u00f5es tradicionais de investiga\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbios de estudantes e pessoal, mas tamb\u00e9m formatos mais inovadores, como workshops de co-aprendizagem colaborativa, modos de colabora\u00e7\u00e3o centrados nos estudantes, como a aprendizagem baseada em projectos, ou explora\u00e7\u00f5es experimentais abertas atrav\u00e9s de &#8220;laborat\u00f3rios sociais&#8221; acad\u00e9micos. Os apresentadores podem tamb\u00e9m centrar-se nos aspectos burocr\u00e1ticos da coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento internacional facilitada pelas universidades, detendo-se, por exemplo, nos processos de verifica\u00e7\u00e3o institucional ou governamental. Ser\u00e1 dada especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s poss\u00edveis tens\u00f5es entre o imperativo de uma colabora\u00e7\u00e3o mais equitativa e os obst\u00e1culos burocr\u00e1ticos das estruturas e requisitos de financiamento de facto, como o (n\u00e3o) envolvimento de (co-)PIs do Sul. Embora as apresenta\u00e7\u00f5es possam incidir sobre uma s\u00e9rie de contextos Norte-Sul, as experi\u00eancias que envolvam universidades ib\u00e9ricas e as suas cong\u00e9neres africanas s\u00e3o particularmente bem-vindas. Este painel \u00e9 inspirado na Prova de Conceito AfDevLabs do ERC (atualmente em fase de apresenta\u00e7\u00e3o), que se baseia num formato de aprendizagem baseado em projectos para desenvolver um laborat\u00f3rio colaborativo em torno dos vest\u00edgios de interven\u00e7\u00f5es de desenvolvimento euro-africanas passadas. Se a candidatura \u00e0 Prova de Conceito for bem sucedida (resultados previstos para junho de 2024, in\u00edcio previsto para setembro de 2024), os colaboradores acad\u00e9micos do projeto na Europa e em \u00c1frica ser\u00e3o encorajados a apresentar comunica\u00e7\u00f5es ao painel. O potencial de participa\u00e7\u00e3o destes colaboradores internacionais no painel, que se alinhar\u00e1 bem com uma reuni\u00e3o de planeamento do projeto em Lisboa, em janeiro de 2025, revigorar\u00e1 o debate sobre modos equitativos de colabora\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, ancorando a discuss\u00e3o numa nova e experimental iniciativa de colabora\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica Norte-Sul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul s\u00e3o historicamente marcadas por fortes disparidades e desequil\u00edbrios de poder. Os projectos de coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento s\u00e3o criticados por serem centrados nos doadores &#8211; desde a defini\u00e7\u00e3o da agenda \u00e0 escolha das \u00e1reas tem\u00e1ticas, das estruturas de financiamento \u00e0 conce\u00e7\u00e3o dos projectos &#8211; e por seguirem os interesses das institui\u00e7\u00f5es do Norte em vez das prioridades do Sul. Estas hierarquias estruturais t\u00eam sido objeto de um escrut\u00ednio crescente nos \u00faltimos anos, resultando em apelos para repensar a coopera\u00e7\u00e3o Norte-Sul, quer seja enquadrada como &#8220;desenvolvimento&#8221; ou fundamentalmente cr\u00edtica. Estas conversas s\u00e3o not\u00e1veis na coopera\u00e7\u00e3o facilitada pela universidade entre institui\u00e7\u00f5es de ensino superior do Norte e do Sul. Embora a coopera\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria para o desenvolvimento continue a ser pouco explorada como modalidade de ajuda e como objeto de investiga\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica, o seu potencial para repensar as parcerias tem sido salientado tanto por actores do Norte como do Sul, na teoria, atrav\u00e9s de agendas pol\u00edticas e na pr\u00e1tica. Com base nos apelos crescentes a rela\u00e7\u00f5es Norte-Sul mais equitativas e significativas, e centrando-se nos la\u00e7os euro-africanos, este painel ir\u00e1 explorar as li\u00e7\u00f5es aprendidas, os desafios e as solu\u00e7\u00f5es provis\u00f3rias para melhorar a coopera\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento internacional Norte-Sul facilitada pelas universidades. Acolher\u00e1 as li\u00e7\u00f5es retiradas de formatos de colabora\u00e7\u00e3o tradicionais e inovadores e assentes em parcerias de curto e longo prazo. Ser\u00e3o bem-vindos tanto estudos de caso como apresenta\u00e7\u00f5es conceptuais de todas as ci\u00eancias sociais e de acad\u00e9micos envolvidos em investiga\u00e7\u00e3o aplicada. 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