{"id":3722,"date":"2024-06-12T20:24:56","date_gmt":"2024-06-12T18:24:56","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/representacoes-cruzadas-da-cidade-pos-colonial-no-romance-africano-contemporaneo\/"},"modified":"2024-08-09T13:10:14","modified_gmt":"2024-08-09T11:10:14","slug":"representacoes-cruzadas-da-cidade-pos-colonial-no-romance-africano-contemporaneo","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/representacoes-cruzadas-da-cidade-pos-colonial-no-romance-africano-contemporaneo\/","title":{"rendered":"14. Representa\u00e7\u00f5es cruzadas da cidade p\u00f3s-colonial no romance africano contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"\n<p>Na literatura, a cidade tornou-se um tema importante a partir do s\u00e9culo XIX, com o aparecimento das grandes cidades industriais. <br\/><br\/>Os escritores come\u00e7aram a explorar os seus aspectos mais sombrios, destacando a pobreza, a doen\u00e7a, a viol\u00eancia e a aliena\u00e7\u00e3o. Ao olhar para a geografia liter\u00e1ria, podemos identificar as formas como uma nova narrativa pode ser criada, colocando uma cidade no centro da sua est\u00e9tica como espet\u00e1culo, texto e paisagem. Mas a cidade \u00e9 tamb\u00e9m um lugar de esperan\u00e7a e cria\u00e7\u00e3o.\n&#8220;Todas as cidades t\u00eam a sua alma.<br\/>Cada cidade tem o seu corpo, a sua pele, a sua intelig\u00eancia, a sua estupidez, o seu lado monstruoso, a sua po\u00e9tica, a sua quota-parte de mist\u00e9rio&#8230;&#8221;, Sony Labou Tansi, &#8220;Kinshasa ne sera jamais&#8221; Na literatura moderna, os escritores procuraram retratar a cidade como um lugar de liberdade onde as pessoas podem viver de forma independente e criativa.  A cidade tornou-se o s\u00edmbolo da civiliza\u00e7\u00e3o. Mas esta cidade, t\u00e3o cruel como foi durante a \u00e9poca colonial, segundo Eza Boto, em Ville Cruelle, reserva-nos algumas surpresas, pois ao lado do seu centro resplandecente, encontra-se o bairro de lata onde reina a polui\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria. A este respeito, Tagne salienta que, em termos f\u00edsicos, a cidade aparece no romance camaron\u00eas com uma dupla face. \u00c9 uma cidade bela e sedutora, o lugar para onde ir quando sonhas com a felicidade do campo. <br\/>Quando l\u00e1 chegas, \u00e9 um caldeir\u00e3o de mis\u00e9ria, sofrimento e v\u00edcio, onde a doen\u00e7a, a pris\u00e3o e a morte s\u00e3o uma amea\u00e7a permanente. No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, tornou-se tautol\u00f3gico dizer que a cidade desempenha um papel dominante nas nossas vidas em todas as esferas culturais, econ\u00f3micas, pol\u00edticas e sociol\u00f3gicas. A r\u00e1pida urbaniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ter um efeito profundo em todas as \u00e1reas da nossa vida. . \u00c9 por isso que a cidade, onde emergem novos modos populares de express\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de sentido, e que inspira as narrativas liter\u00e1rias, \u00e9 crucial para compreender o modo como as sociedades p\u00f3s-coloniais tentam &#8220;tornar intelig\u00edvel o tempo presente, [&#8230;] encontrar coer\u00eancia em acontecimentos dispersos, aparentemente demasiado incoerentes e desordenados&#8221; (Mbembe 1988: 23). <br\/>As narrativas liter\u00e1rias mostram como, muitas vezes, os acontecimentos violentos deixam uma marca duradoura na vida dos africanos, a sua forma de reler o passado, de se situar no espa\u00e7o e no tempo e de antecipar o que pode vir a acontecer. Este painel convida investigadores de v\u00e1rias disciplinas e origens a contribuir para uma discuss\u00e3o rica e multidisciplinar sobre o tema da cidade e a influ\u00eancia do urbano na literatura.\n<br\/>S\u00e3o bem-vindos trabalhos das ci\u00eancias humanas, da literatura, da arquitetura, da hist\u00f3ria, da lingu\u00edstica, da geografia e das ci\u00eancias sociais. Como \u00e9 a cidade nos romances policiais e nos textos de fantasia da vida real de autores africanos?\nA atmosfera sombria e aterradora tem algo a ver com a hist\u00f3ria, ou \u00e9 um enquadramento imposto pelo g\u00e9nero liter\u00e1rio?<br\/><br\/><br\/><br\/><br\/><br\/><br\/>Temas propostos: I &#8211; A cidade e o urbano: &#8211; no\u00e7\u00f5es, quest\u00f5es conceptuais e quest\u00f5es epistemol\u00f3gicas &#8211; Fragmenta\u00e7\u00e3o da cidade: fronteiras e limites &#8211; Ecocr\u00edtica das cidades &#8211; Caminhos e formas de encontro com a alteridade &#8211; A inf\u00e2ncia e a mulher:<br\/><br\/><br\/><br\/><br\/>S\u00edmbolo e palavra de deambula\u00e7\u00e3o na cidade &#8211; Discurso e representa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da cidade atrav\u00e9s de textos &#8211; Semi\u00f3tica da luz e da cor na cidade &#8211; Polissensorialidade e identidade &#8211; Habita\u00e7\u00e3o na cidade\/periferia &#8211; Intertextualidade urbana e intermedialidade  <\/p>\n\n<p>II &#8211; Cidades e din\u00e2micas sociais :<br\/>&#8211; transforma\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as societais<br\/>&#8211; dial\u00e9tica cidade\/campo<br\/>&#8211; Planeamento urbano (quest\u00f5es e desafios)<br\/>-A cidade, a mobilidade e as rela\u00e7\u00f5es esp\u00e1cio-temporais: espa\u00e7o p\u00fablico\/espa\u00e7o privado,&#8230;<br\/><br\/><br\/><br\/><br\/>&#8211; As formas do tecido urbano e a rede de rela\u00e7\u00f5es sociais: hospitalidade\/hostilidade, etc. III &#8211; A cidade e o discurso: &#8211; A imagem da cidade, a cidade\/mem\u00f3ria, a cidade\/imagin\u00e1rio, a cidade\/corpo, a cidade\/texto, etc. &#8211; A cidade e as produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e art\u00edsticas &#8211; A cidade e a diversidade lingu\u00edstica e (inter)cultural.<br\/>&#8211; Culturas da cidade e liga\u00e7\u00f5es locais\/globais.<br\/>Isto d\u00e1-nos a possibilidade real, se n\u00e3o de compreender, pelo menos de ser capaz de descrever, atrav\u00e9s da an\u00e1lise de uma s\u00e9rie de exemplos reveladores, como a fic\u00e7\u00e3o e a realidade se relacionam entre si. Longe de ser exaustiva, esta lista de sugest\u00f5es \u00e9 meramente indicativa. Seria poss\u00edvel acrescentar outras linhas de investiga\u00e7\u00e3o em conformidade com as quest\u00f5es levantadas e apresentadas para debate.<\/p>\n\n<p>Cada proposta deve ser acompanhada de um resumo\u0301 (m\u00e1ximo de 250 palavras, espa\u00e7os inclu\u00eddos) e de uma breve nota biogr\u00e1fica (m\u00e1ximo de 500 palavras, espa\u00e7os inclu\u00eddos).<br\/>O tempo atribu\u00eddo a cada apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 de 15 minutos, seguidos de 10 minutos para debate\/perguntas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A literatura, em todas as suas formas, sugere que entr\u00e1mos na civiliza\u00e7\u00e3o urbana. Todos n\u00f3s somos habitantes da cidade, envolvidos em comunidades urbanas em crise. O livro \u00e9 um mediador f\u00e9rtil entre os nossos sonhos e os nossos assombros, entre a nossa imagina\u00e7\u00e3o e a realidade, entre o que \u00e9 e o que ser\u00e1. Frank Lanot, \u00ab La ville et la litt\u00e9rature \u00bb in Thierry Paquot, Michel Lussault (dir.), Dictionnaire de la g\u00e9ographie et de l\u2019espace des soci\u00e9t\u00e9s, Paris, Editions Belin (2013), p. 336. A cidade sempre foi um tema de inspira\u00e7\u00e3o favorito para os escritores, que procuraram retratar o seu dinamismo, diversidade, beleza ou feiura. A cidade \u00e9 um lugar onde se concentram as for\u00e7as da modernidade, onde as culturas se encontram e onde se constroem as identidades individuais e colectivas. A cidade \u00e9 o resultado de um conjunto de representa\u00e7\u00f5es em cont\u00ednua e permanente intera\u00e7\u00e3o (Molina, 2007: 290). A emiss\u00e3o de um mandato deste tipo implica um acordo sobre uma defini\u00e7\u00e3o muito ampla do conceito de &#8220;representa\u00e7\u00e3o&#8221;. Assim, longe das divis\u00f5es artificialmente simplistas entre o ideal e o material, \u00e9 aconselh\u00e1vel utiliz\u00e1-lo numa postura construtivista, para considerar que as representa\u00e7\u00f5es organizam a nossa rela\u00e7\u00e3o com o mundo e mesmo com o espa\u00e7o urbano. O nosso objetivo neste painel internacional interdisciplinar \u00e9 dar conta desta riqueza de discursos, cujos suportes e vers\u00f5es se entrela\u00e7am naquilo a que atualmente se pode chamar o pensamento e a escrita do urbano.<\/p>\n","protected":false},"author":945,"featured_media":0,"template":"","congreso":[92],"class_list":["post-3722","panel","type-panel","status-publish","hentry","congreso-ciea12-pt-pt"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/945"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5471,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3722\/revisions\/5471"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}