{"id":3735,"date":"2024-06-12T20:03:16","date_gmt":"2024-06-12T18:03:16","guid":{"rendered":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/panel\/africa-relacoes-afrodiasporicas-e-desafios-atlanticos-cartografias-da-descolonizacao-genero-e-geopolitica-do-conhecimento\/"},"modified":"2024-08-09T16:20:45","modified_gmt":"2024-08-09T14:20:45","slug":"africa-relacoes-afrodiasporicas-e-desafios-atlanticos-cartografias-da-descolonizacao-genero-e-geopolitica-do-conhecimento","status":"publish","type":"panel","link":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/paineis\/africa-relacoes-afrodiasporicas-e-desafios-atlanticos-cartografias-da-descolonizacao-genero-e-geopolitica-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"35. \u00c1FRICA, RELA\u00c7\u00d5ES AFRODIASPORICAS E DESAFIOS ATL\u00c2NTICOS: cartografias da descoloniza\u00e7\u00e3o, g\u00e9nero e geopol\u00edtica do conhecimento."},"content":{"rendered":"\n<p>Muitos dos desafios actuais de \u00c1frica derivam em grande parte do sistema de poder institucionalizado pelo colonialismo, estabelecendo, a partir da hierarquia epistemol\u00f3gica, rela\u00e7\u00f5es de desigualdade em que os crit\u00e9rios de g\u00e9nero, ra\u00e7a e classe, sa\u00fade, doen\u00e7a e outros se sobrepunham \u00e0s categorias locais. Com esta reescrita, as ontologias locais ocuparam espa\u00e7os perif\u00e9ricos de conhecimento numa teia de rela\u00e7\u00f5es de poder historicamente enraizadas. Categorias utilizadas para classificar a popula\u00e7\u00e3o, no processo de moldar a sua representa\u00e7\u00e3o e auto-representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>S\u00e3o v\u00e1rias as propostas de articula\u00e7\u00e3o da multiplicidade que hoje se verificam atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o ativa das comunidades, transformando institui\u00e7\u00f5es, entidades e \u00e1reas de conhecimento em espa\u00e7os de debate, investiga\u00e7\u00e3o e praxis a partir dos quais se dialoga sobre e a partir do processo descolonial. D\u00e1 um olhar sobre a forma como a hist\u00f3ria tem sido escrita, revisitando os seus discursos e incorporando as narrativas dos povos colonizados. Propostas concebidas com base na aprendizagem m\u00fatua e em metodologias que partem da popula\u00e7\u00e3o-alvo, construindo e transformando a sociedade atrav\u00e9s do co-desenvolvimento, facilitando a coexist\u00eancia e o enriquecimento m\u00fatuo. Atualmente, a sustentabilidade n\u00e3o pode ser entendida sem uma abordagem descolonial, uma vez que a Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas se baseia na melhoria do bem-estar das pessoas e no seu acesso a uma vida digna em condi\u00e7\u00f5es de igualdade, e os desafios clim\u00e1ticos exigem respostas que tenham em conta a biocolonialidade.<\/p>\n\n<p>Neste sentido, entendemos que \u00e9 necess\u00e1rio compreender e analisar estes processos a partir de uma igualdade epist\u00e9mica. Isto implica questionar e analisar os espa\u00e7os ocupados por muitos saberes locais e leva-nos a investigar as causas e consequ\u00eancias desta hierarquiza\u00e7\u00e3o, bem como a agencialidade de muitas categorias que hoje permanecem em espa\u00e7os de subalternidade. <br\/>Esferas que se concretizam nos patrim\u00f3nios materiais e imateriais nascidos das migra\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 de pessoas, mas tamb\u00e9m de tradi\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas que atravessaram o Atl\u00e2ntico numa e noutra dire\u00e7\u00e3o, vezes sem conta. O painel pretende, assim, abordar a riqueza concetual e cultural destes povos e das suas di\u00e1sporas, e como estas se traduzem numa diversidade cultural que s\u00f3 pode ser analisada se tivermos em conta o ponto de vista dos seus protagonistas e se os abordarmos a partir de reflex\u00f5es, metodologias e categorias n\u00e3o euroc\u00eantricas.<\/p>\n\n<p>S\u00e3o muitas as investiga\u00e7\u00f5es baseadas em pressupostos metodol\u00f3gicos que procuram dar protagonismo a quem torna poss\u00edvel a investiga\u00e7\u00e3o (Restrepo e Escobar, 2005) e atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o em termos de quem faz parte dessa comunidade (Rosaldo, 1991). Estudos que n\u00e3o consideram os colectivos com os quais se investiga como objectos de estudo, mas como agentes pol\u00edticos e epist\u00e9micos, abordando a possibilidade da perspetiva decolonial como ferramenta \u00fatil para confrontar modelos representacionais hegem\u00f3nicos numa perspetiva de g\u00e9nero (Palermo, 2006). Debates que se abrem para avaliar a capacidade da perspetiva descolonial para ter impacto nas realidades sociais com e sobre as quais trabalhou. Outros estudos analisam igualmente o papel da di\u00e1spora, do territ\u00f3rio e da ra\u00e7a e a intersec\u00e7\u00e3o entre as diferentes categorias (Fern\u00e1ndez, et al, 2021). A proposta assume a import\u00e2ncia de reconstruir a teoria a partir do campo, em constante di\u00e1logo e sem medo de que a realidade n\u00e3o se encaixe na teoria que tenta defini-la. Redesenhando os conceitos e categorias de pesquisa a partir da experi\u00eancia etnogr\u00e1fica, partindo do reconhecimento de outras ontologias que podem ser vividas e reconhecidas na experi\u00eancia participativa, e como diz Manuela Cant\u00f3n, &#8220;knowing\/experiencing agency&#8221; (2017: 336).<\/p>\n\n<p>Assim, este painel pretende acolher trabalhos nos dom\u00ednios da hist\u00f3ria, da antropologia social e cultural, da arqueologia, da sociologia e da arte que visem refletir sobre a implementa\u00e7\u00e3o da abordagem descolonial de, em e sobre \u00c1frica na sua dimens\u00e3o atl\u00e2ntica durante os s\u00e9culos XVII a XXI, promovendo simultaneamente a diversidade cultural com uma abordagem de g\u00e9nero. Procura abordagens \u00e0s diversas formas em que se manifestam hoje, tentando articular esta perspetiva com a ecologia, a viol\u00eancia, os debates inter-esp\u00e9cies, a religiosidade, a espiritualidade, a identidade e a geopol\u00edtica do conhecimento hegem\u00f3nico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este painel reflecte sobre a materializa\u00e7\u00e3o cultural da desigualdade colonial em \u00c1frica e no espa\u00e7o atl\u00e2ntico, que se apresenta como testemunha de uma hist\u00f3ria partilhada entre as suas margens, uma hist\u00f3ria de migra\u00e7\u00f5es, de idas e vindas ao longo dos s\u00e9culos XVII a XXI. Procuramos analisar a forma como os conceitos e as categorias que utilizamos s\u00e3o atravessados por m\u00faltiplos debates e narrativas dominantes que, por sua vez, est\u00e3o inseridos em espa\u00e7os de legitima\u00e7\u00e3o. Neste sentido, propomos aprofundar a aprendizagem transformadora a partir de uma abordagem decolonial, com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es de g\u00e9nero, procurando abordagens \u00e0s v\u00e1rias formas em que se manifestam hoje, tentando articular a perspetiva decolonial com a ecologia, a viol\u00eancia, os debates interesp\u00e9cies, a religiosidade, a espiritualidade, a identidade e a geopol\u00edtica do conhecimento hegem\u00f3nico.<\/p>\n","protected":false},"author":313,"featured_media":2704,"template":"","congreso":[],"class_list":["post-3735","panel","type-panel","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel"}],"about":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/panel"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/313"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3735\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5661,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/panel\/3735\/revisions\/5661"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2704"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"congreso","embeddable":true,"href":"https:\/\/redestudiosafricanos.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/congreso?post=3735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}